Orar não é um recurso de emergência para dias em que tudo deu errado. Orar é reconhecer que, sem Deus, somos absolutamente incapazes de sustentar a própria vida. A oração não existe para convencer Deus a fazer a nossa vontade; ela nos coloca diante daquele cuja vontade é perfeita, soberana e santa.
A Bíblia não apresenta a oração como uma técnica para controlar circunstâncias, mas como o caminho pelo qual o filho de Deus depende do Pai. “Sem mim nada podeis fazer” (João 15:5). A nossa autossuficiência é uma ilusão. Quanto mais confiamos em nossa força, mais revelamos o quanto esquecemos da graça.
Talvez você não tenha vontade de orar. Talvez esteja cansado, frustrado ou até desesperado. Ore assim mesmo. A fé não é esperar sentir vontade para buscar Deus; é correr para Ele justamente quando percebemos que não temos mais onde nos apoiar.
Paulo ouviu do Senhor: “A minha graça te basta” (2 Coríntios 12:9). Perceba: Deus nem sempre remove o espinho; muitas vezes, Ele nos ensina a depender dEle no meio do espinho. A oração não é uma ferramenta para escapar de toda aflição, mas um dos meios pelos quais Deus sustenta seus filhos dentro dela.
E aqui está o confronto: quantas vezes você chama de “falta de tempo” aquilo que, na verdade, é falta de dependência? Temos tempo para redes sociais, conversas, entretenimento e preocupações intermináveis, mas tratamos alguns minutos diante de Deus como um peso.
Você não precisa esperar chegar ao desespero para orar. Mas, se o desespero chegou, não fuja dele tentando encontrar salvação em si mesmo. Caia de joelhos. Aquele que governa todas as coisas continua sendo Pai daqueles que foram alcançados pela graça.
“Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.” (Salmo 50:15)
No fim, a oração não existe para transformar Deus em servo dos nossos desejos. Ela existe para nos lembrar de quem Deus é, de quem nós somos e de que toda a nossa esperança depende da graça.
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