Nem toda permanência é prova de amor. Às vezes, é medo.
Medo de ficar sozinha. Medo de começar de novo. Medo de descobrir quem você é sem aquela pessoa.
E é justamente aí que mora um perigo: para não perder o outro, você começa a perder a si mesma. Tolera o que antes dizia que jamais toleraria. Aceita migalhas. Abandona projetos. Silencia vontades. Ultrapassa os próprios limites e chama tudo isso de “lutar pelo relacionamento”.
Na psicanálise, podemos compreender que experiências de abandono, rejeição e insegurança podem influenciar a maneira como alguém constrói seus vínculos. Algumas pessoas passam a ceder excessivamente não porque estejam vivendo um amor saudável, mas porque a possibilidade da perda desperta angústias profundas.
Mas relacionamento saudável não deveria exigir o desaparecimento de ninguém.
E existe um detalhe poderoso nas palavras de Jesus em Marcos 12:31: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Existe um “a ti mesmo” nessa frase.
Amar o outro não significa deixar de existir, abandonar sua identidade ou aceitar desrespeito para manter alguém ao seu lado.
Então eu quero deixar uma pergunta difícil:
Você está realmente lutando pelo seu relacionamento ou está lutando contra o medo de descobrir quem você é sem ele?
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