Não fustigue feridas abertas em corpos vivos. Se você não se importa com traumas infantis, jamais tripudie tormentos adultos.
Tenha cuidado com os nervos expostos em quem a vida chagou.
Os corpos são sensíveis. Quando lágrimas escapam de olhos cansados, não as julgue.
Se o choro insiste, e nasce da fome e sede de justiça, ele será sempre bem-aventurado.
Jamais pise em corpos caídos. Nunca escarneça de quem você julga derrotado.
Gente abatida não merece rispidez. Todos carecem de misericórdia.
Em uma existência fragilizada, qualquer lâmina pode descer com a velocidade de uma guilhotina.
O mundo clama por olhares calmos.
Devemos firmar os joelhos desconjuntados de senhoras e senhores alquebrados pela decepção.
Bilhões imploram: “Me empreste seu ombro; me dê sua mão. Não transforme o meu medo em mais pânico.”
Preservar a vida é imperativo sagrado. Para que servem fósforo riscado, jarra trincada e pente quebrado?
Transforme o seu colo em maca.
Seja um samaritano que transpira solidariedade. Encare a sorte do esquecido como ele fez com o viajante que agonizava na beira da estrada.
Não trate os desafortunados como inconvenientes. Ajude os que descartam o milagre da vida.
Ninguém nasceu para ser estorvo. Evite risos sarcásticos e pilhéria. Todas as pessoas desejam ser queridas.
Urge reaprender a chorar e bordar a história com fios multicoloridos.
A história, feia ou bonita, nos pertence.
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