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terça-feira, 18 de agosto de 2026

CORPOS

 Não fustigue feridas abertas em corpos vivos. Se você não se importa com traumas infantis, jamais tripudie tormentos adultos.


Tenha cuidado com os nervos expostos em quem a vida chagou.


Os corpos são sensíveis. Quando lágrimas escapam de olhos cansados, não as julgue. 


Se o choro insiste, e nasce da fome e sede de justiça, ele será sempre bem-aventurado.


Jamais pise em corpos caídos. Nunca escarneça de quem você julga derrotado.


Gente abatida não merece rispidez. Todos carecem de misericórdia.


Em uma existência fragilizada, qualquer lâmina pode descer com a velocidade de uma guilhotina. 


O mundo clama por olhares calmos.


Devemos firmar os joelhos desconjuntados de senhoras e senhores alquebrados pela decepção.


Bilhões imploram: “Me empreste seu ombro; me dê sua mão. Não transforme o meu medo em mais pânico.”


Preservar a vida é imperativo sagrado. Para que servem fósforo riscado, jarra trincada e pente quebrado? 


Transforme o seu colo em maca. 

Seja um samaritano que transpira solidariedade. Encare a sorte do esquecido como ele fez com o viajante que agonizava na beira da estrada.


Não trate os desafortunados como inconvenientes. Ajude os que descartam o milagre da vida.


Ninguém nasceu para ser estorvo. Evite risos sarcásticos e pilhéria. Todas as pessoas desejam ser queridas.


Urge reaprender a chorar e bordar a história com fios multicoloridos.

A história, feia ou bonita, nos pertence.


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