Talvez você já tenha lido o Salmo 52 muitas vezes sem imaginar a dor que existia por trás dele. Davi não escreveu aquelas palavras em um dia tranquilo. Doegue havia visto Aimeleque ajudar Davi e levou a informação até Saul. Depois, quando os homens do rei se recusaram a matar os sacerdotes, o próprio Doegue levantou a mão. Oitenta e cinco sacerdotes morreram. Abiatar conseguiu escapar e correu até Davi para contar o que havia acontecido.
E então Davi diz algo que dói só de imaginar: “Eu dei ocasião contra todas as pessoas da casa de teu pai.” 1 Samuel 22:22. Davi sabia que Doegue estava ali naquele dia. Talvez tenha pensado inúmeras vezes: “E se eu tivesse percebido antes? E se eu tivesse feito diferente?” Há dores que não vêm apenas pelo que fizeram conosco, mas pelo peso daquilo que gostaríamos de voltar no tempo para mudar.
É desse lugar que nasce o Salmo 52.
Mas existe algo lindo: Davi poderia ter transformado a culpa em amargura, a dor em vingança e a tragédia em motivo para abandonar Deus. Não fez isso. Depois de falar sobre a maldade de Doegue, ele declara: “Eu, porém, sou como oliveira verdejante na Casa de Deus; confio na misericórdia de Deus para todo o sempre.” Salmo 52:8.
Que fé é essa que ainda cria raiz depois de uma notícia dessas?
Talvez seja exatamente isso que alguém precise entender hoje: existem coisas que você não conseguirá voltar atrás para consertar. Existem dias que gostaria de apagar, decisões que faria diferente e dores que ainda fazem seus olhos encherem de lágrimas. Mas o passado não precisa arrancar você do lugar onde Deus o plantou.
Doegue escolheu a maldade. Davi escolheu continuar confiando.
E talvez o maior milagre do Salmo 52 não seja Deus derrubar Doegue. Talvez seja Davi, depois de tudo, ainda conseguir dizer: “Eu continuo sendo oliveira.”
Ferido, mas com raiz.
Chorando, mas ainda confiando.
Sem poder mudar ontem, mas sem entregar amanhã.
Salmo 52 | 1 Samuel 22
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