Total de visualizações de página

terça-feira, 25 de agosto de 2026

SAUDADES

 Tem uma coisa que eu aprendi com os meus cachorros: um dia, tudo aquilo que hoje parece comum pode virar saudade.

Hoje eu escuto as patinhas pela casa, vejo os dois me seguindo de um lado para o outro, tem pelo na roupa, latido, bagunça e aquela alegria quando eu chego. E comecei a perceber que talvez a vida seja feita justamente dessas coisas que a gente quase não valoriza enquanto tem.

Eles me ensinaram o valor de quem fica.

Não sabem se meu dia foi bom ou ruim. Não sabem o que eu tenho ou o que posso oferecer. Eles simplesmente querem estar perto.

E isso me fez pensar em como nós complicamos o amor. A gente mede, cobra, guarda mágoa, espera o outro procurar primeiro. Eles não sabem fazer conta. Eles só sabem amar.

Também aprendi que presença fala. Às vezes ninguém precisa resolver a nossa dor. A gente só precisa de alguém que não vá embora.

Aprendi sobre perdão. Eu corrijo, digo não, e pouco depois eles estão perto outra vez. Sem orgulho, sem silêncio para castigar.

Mas existe algo que me ensina ainda mais.

Eles dormem sem saber como será amanhã. Não sabem de onde vem a comida, não sabem dos problemas da casa. Só sabem que alguém cuida deles.

E descansam.

Enquanto eu, tantas vezes, digo que confio em Deus e ainda perco o sono tentando controlar o que nem aconteceu.

Talvez fé seja isso: não saber o que vem depois, mas saber Quem cuida da gente.

Hoje, quando olho para os dois, eu peço a Deus uma coisa:

não me deixe precisar perder para aprender a valorizar.

Porque um dia a bagunça pode virar silêncio, o latido pode virar lembrança e aquilo que hoje parece rotina pode se tornar uma das maiores saudades da minha vida.


“Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio.”

Salmos 90:12



Nenhum comentário:

Postar um comentário