Acendo luzes multicoloridas na alma. Desejo fazer da minha vida um farol na colina; peço aos céus que minhas palavras sejam sempre singelas, meu caminhar ereto e minha altivez, humilde.
Estendo fios sobre as mesas desarrumadas do meu espírito; sinto a urgência de costurar a poesia com o apuro da bordadeira idosa.
Também sonho em escrever com a inspiração do salmista canônico.
Nesse empenho, nada me fascina e assusta mais do que a velocidade do tempo. De repente, ao me debruçar sobre a folha em branco, noto o tanto de vida que já me escapou.
Minhas semanas viraram meses, os meses, anos e as décadas me atropelaram. Tento escrever diante de um espelho só para perceber que as marcas em meu rosto revelam o quanto já fui consumido.
Ressuscitei, mas cheio de cicatrizes – algumas mal curadas.
Sim, tudo foi tão de repente e cá estou a juntar os estilhaços que sobraram sobre minha mesa; tenho o dever de transformá-los em vitrais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário