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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

LUZES

 Acendo luzes multicoloridas na alma. Desejo fazer da minha vida um farol na colina; peço aos céus que minhas palavras sejam sempre singelas, meu caminhar ereto e minha altivez, humilde. 


Estendo fios sobre as mesas desarrumadas do meu espírito; sinto a urgência de costurar a poesia com o apuro da bordadeira idosa.


Também sonho em escrever com a inspiração do salmista canônico. 


Nesse empenho, nada me fascina e assusta mais do que a velocidade do tempo. De repente, ao me debruçar sobre a folha em branco, noto o tanto de vida que já me escapou. 


Minhas semanas viraram meses, os meses, anos e as décadas me atropelaram. Tento escrever diante de um espelho só para perceber que as marcas em meu rosto revelam o quanto já fui consumido. 


Ressuscitei, mas cheio de cicatrizes – algumas mal curadas.


Sim, tudo foi tão de repente e cá estou a juntar os estilhaços que sobraram sobre minha mesa; tenho o dever de transformá-los em vitrais.


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