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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

MANDRAGONA

 Gênesis 30:14. E foi Rubem nos dias da sega do trigo, e achou mandrágoras no campo.


O detalhe que parece pequeno nessa narrativa é gigantesco.


Rubem era o primogênito de Jacó. E justamente nos dias da sega do trigo, quando uma família patriarcal estava concentrada na colheita, ele encontra mandrágoras no campo.


E aqui começa uma pergunta desconfortável.

O que Rubem decidiu colher quando era tempo de colher trigo?


Mandrágoras.

A planta conhecida como mandrágora era cercada de simbolismos no mundo antigo. Seu nome hebraico é dudaim, palavra relacionada a amores. Os gregos a associavam à chamada maçã de Afrodite, ligada às crenças de fertilidade. Entre os árabes, recebeu o nome de maçãs do diabo.


Sua própria aparência alimentou antigas superstições. A raiz, muitas vezes bifurcada, podia lembrar a forma de um corpo humano. Seus frutos amarelados eram conhecidos por propriedades narcóticas e a planta acabou cercada por tradições mágicas e práticas de feitiçaria.


A Bíblia não afirma que Rubem estava praticando feitiçaria.


Mas a narrativa faz questão de mostrar que aquilo que ele encontrou não ficou no campo.


Ele levou para casa.

E então a mandrágora começou a circular.


Rubem levou para Lia. Lia negociou com Raquel. Raquel desejou aquilo. E aquilo que começou como uma descoberta no campo terminou dentro de uma disputa familiar.


Perceba a força da cena.

O trigo era alimento.

A mandrágora era desejo.

O trigo sustentava a casa.

A mandrágora alimentava uma disputa.

E existe uma pergunta para esta geração.


O que está sendo colhido fora e levado para dentro?


Porque muitas coisas entram em uma casa primeiro pelas mãos e depois ocupam a mente.


Hoje, as mandrágoras podem ter outros nomes.


Drogas que entorpecem.


Conteúdos que erotizam.


Relacionamentos que corrompem.

Práticas que parecem inofensivas, mas normalizam aquilo que antes causava vergonha.


Rubem era filho de Jacó.


Havia trigo para colher.


Mas ele escolheu outra colheita.


Não permita que aquilo que deveria permanecer no campo encontre espaço dentro do seu lar.


A sua casa não precisa ser um depósito de tudo aquilo que o mundo oferece.


Que o lar seja lugar de trigo.



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