Certa vez, Jesus foi seguido por mais de cinco mil pessoas. Ao cair da tarde, os discípulos sugeriram que a multidão fosse embora para comprar comida, mas Jesus não concordou (Mt 14.13).
Diante de qualquer problema, talvez haja ideias e alternativas, mas as soluções humanas podem ser insuficientes ou até prejudiciais.
Então, o Mestre perguntou a Filipe: "Onde compraremos pão, para estes comerem"? (João 6:5).
O discípulo respondeu: "Duzentos denários de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pedaço".
A resposta foi perfeita, sob o ponto de vista humano. Ele estava certo, como nós, muitas vezes, estamos, mas podemos ir muito além disso, com a graça de Deus.
Quem está certo pode se julgar independente, mas todos precisam de Jesus. Muitas pessoas, quando têm razão, tornam-se arrogantes e orgulhosas, mas estar certo não basta. Ainda assim, precisamos manter a humildade e a capacidade de ouvir e aprender.
O denário, mencionado por Filipe, era o valor pago por um dia de trabalho do campo. O trabalho traz o dinheiro que possibilita tantas coisas, mas devemos pensar além desses fatores naturais, além da nossa força e dos nossos próprios recursos.
Jesus não disse que Filipe estava errado. Sua resposta era coerente com a matemática e a lógica, mas não estava de acordo com a fé.
Assim são as nossas avaliações e respostas diante das grandes indagações humanas ou perante problemas de todo tipo.
Logo, outro discípulo se manifestou. André, numa atitude proativa e louvável, procurou saber se alguém havia levado algum lanche. Então, descobriu um rapaz que possuía cinco pães e dois peixes. Porém, sua conclusão também foi desanimadora: "Que é isto para tanta gente"? (João 6:9).
Suas palavras se baseavam na correta avaliação da realidade, mas lhe faltava a fé e uma perspectiva espiritual dos fatos.
A boa notícia era que Jesus estava presente. Ele sempre tem o controle da situação. Não é suficiente apelar para Filipe, André, Pedro, Tiago, João ou qualquer santo, guia ou suposta divindade. Todos precisam de Jesus.
Então, ele pediu que os pães e peixes lhe fossem entregues. O rapaz entregou prontamente, ainda que aquele ato pudesse parecer uma perda. Nós também devemos entregar o que o Mestre nos pede. A renúncia valerá a pena.
Jesus poderia ter feito chover pães e peixes do céu, mas deu àquele moço a oportunidade de participar e contribuir para o milagre. Da mesma forma, devemos fazer o que estiver ao nosso alcance, mas sempre crendo que Deus fará o impossível.
Jesus orou e devolveu os pães e peixes. O que entregamos a ele, será abençoado e multiplicado. Ainda que tenhamos tão pouco, Jesus pode fazer muito mais, se colocarmos em suas mãos.
Quando terminou a oração, havia ali ainda cinco pães e dois peixes, mas, sendo distribuídos, foram multiplicados.
O que os padeiros e pescadores não podem fazer, o Carpinteiro faz.
Coloquemos diante dele, em oração, nossos problemas e necessidades, sejam físicas, emocionais ou espirituais.Todavia, Jesus deixou bem claro que aquele povo precisava, não só dos pães naturais, mas do pão vivo que desceu do céu, que era ele mesmo (João 6.32-35).
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