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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

TEM

 Tem um detalhe em Juízes 20 que dói mais quando a gente entende: Israel já tinha enfrentado inimigos de fora, já tinha visto Deus dar livramentos, já tinha aprendido a guerrear, mas chegou um momento em que a espada que antes era levantada contra o adversário começou a ser levantada contra os próprios irmãos. E talvez essa seja uma das tragédias mais atuais da Bíblia. Tem gente que sabe vencer batalhas lá fora, mas não sabe preservar quem está do lado de dentro. Sabe identificar o mal no outro, mas não percebe quando o coração já foi tomado por orgulho, divisão, proteção do erro e desejo de ter razão. Benjamim preferiu defender homens perversos a corrigir o pecado dentro da própria tribo, e o resultado foi devastador: milhares morreram, famílias choraram e uma tribo quase desapareceu. Tudo porque ninguém quis ceder enquanto ainda dava tempo. E o mais assustador é que Israel consultou a Deus, foi para a guerra e mesmo assim perdeu duas vezes. Só depois veio o choro, o jejum, a humilhação e a permanência diante do Senhor. Isso mostra que não basta estar lutando por algo certo se o nosso coração também precisa ser tratado. Há guerras que começam porque alguém pecou, mas continuam porque ninguém quer se quebrantar. Há divisões que poderiam terminar numa conversa, num pedido de perdão, numa correção aceita, mas crescem porque todo mundo quer provar que está certo. Cuidado para não vencer tantas guerras contra quem está de fora e acabar destruindo quem Deus colocou ao seu lado. No final de Juízes 20, ninguém comemora. Só restam mortos, lágrimas e arrependimento. Talvez essa seja a pergunta que precisamos fazer hoje: de que adianta ganhar uma guerra se, para vencer, você perdeu irmãos pelo caminho? “Então todos os filhos de Israel e todo o povo subiram, e vieram a Betel, e choraram, e estiveram ali perante o Senhor, e jejuaram aquele dia até à tarde.” Juízes 20:26. 


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