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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

PERDOAR

 Perdoar é uma das coisas mais bonitas que a gente prega e uma das mais difíceis de viver. Porque o problema não é só o que fizeram com você, é o que você faz por dentro depois que fizeram. Tem gente que não fala mais com a pessoa, mas conversa com ela todos os dias na cabeça. Relembra a cena, refaz a discussão, imagina o que deveria ter respondido, conta para mais alguém, revive a decepção e sem perceber mantém viva uma situação que já deveria ter perdido força. Jesus sabia exatamente como o coração humano funciona quando falou sobre perdoar setenta vezes sete. Ele não estava ensinando matemática, estava ensinando a parar de contar. Parar de somar ofensas, de guardar comprovantes emocionais, de esperar o dia em que o outro vai pagar pelo que fez. E aqui está o confronto: às vezes a gente diz que quer justiça, mas no fundo quer ver a pessoa sentir a mesma dor. Diz que entregou a Deus, mas continua conferindo se Deus já resolveu do nosso jeito. Perdoar não é dizer que não doeu, não é esquecer de forma mágica, não é devolver intimidade para quem destruiu confiança. É decidir que aquilo não vai criar raízes dentro de você. Porque uma ferida não tratada pode mudar a forma como você ama, confia, recebe e até como você enxerga pessoas que nunca fizeram nada contra você. O perigo não é apenas lembrar do que aconteceu, é deixar aquilo definir quem você se tornou. Talvez por isso o perdão seja tão espiritual: ele não muda o passado, mas impede que o passado continue mandando no presente. “Jesus lhe disse: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Mateus 18:22. E agora a pergunta é: você realmente perdoou ou apenas aprendeu a conviver com a mágoa em silêncio? 



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