Provérbios 23:29-32
Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? Para quem os olhos vermelhos?
O proverbista não começa falando do copo. Começa falando das consequências. Ele descreve uma pessoa que foi perdendo o controle sem perceber que estava perdendo a própria vida.
O texto apresenta a embriaguez sem romantização. Não há glamour. Há ais, dores, conflitos, reclamações, feridas e vergonha. O vinho é apresentado como algo que seduz pela aparência, mas termina revelando sua capacidade de ferir.
E então vem uma imagem assustadora. No fim, ele morde como a serpente e pica como a víbora.
A bebida parecia inofensiva no começo. Mas o fim revela o que estava escondido no começo.
Esse é o grande perigo. Nem todo veneno chega com aparência de veneno.
Existem escolhas que não parecem perigosas quando começam. O primeiro copo não mostra a discussão que poderá acontecer depois. A primeira embriaguez não mostra a família que poderá sofrer. A primeira noite não revela a vergonha da manhã seguinte.
Por isso, sabedoria não é apenas saber o que fazer. É aprender a enxergar o fim antes de começar.
Provérbios não descreve apenas alguém que bebe. Mostra alguém que se demora perto do vinho. A expressão é importante. O problema não está apenas no que entrou no corpo, mas no lugar onde a pessoa decidiu permanecer.
Há gente que não caiu de repente. Foi ficando.
Ficou perto do ambiente. Ficou perto do copo. Ficou repetindo que tinha controle. Até descobrir que aquilo que parecia estar na mão já estava governando a vida.
E existe uma pergunta que precisa ser feita. Por que repetir uma história que você já viu destruir outras pessoas?
Você já viu casamentos feridos. Já viu famílias envergonhadas. Já viu pessoas perderem dinheiro, respeito, oportunidades e relacionamentos. Mesmo assim, alguns continuam dizendo, comigo será diferente.
Isso não é coragem. É subestimar a serpente.
Paulo apresenta outra direção. Em vez de viver sob o domínio da embriaguez, enchei vos do Espírito.
Não espere a mordida para reconhecer a serpente.
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