No grand espetáculo dos céus, duas águias majestosas travam uma batalha feroz em plenas alturas. As asas se cruzam, as garras se tencionam e o vento parece parar diante da intensidade daquela disputa por um tesouro efêmero. No calor do conflito, entre giros e rasantes vertiginosos, o peso da conquista é solto — o peixe despenca rumo ao abismo, lembrando-nos de que, muitas vezes, as guerras que travamos com tanta fúria pelo controle, pelas posses e pelas posições terrenas são pequenas diante da vastidão da vida.
Essa cena nos faz olhar para dentro e lembrar de Jó, um homem que, de uma hora para a outra, viu tudo o que possuía e conquistara desabar diante de seus olhos, caindo como aquele peixe nas alturas, esvaindo-se sem que pudesse segurar. Jó perdeu bens, perdeu o conforto e a estabilidade, mas descobriu que a verdadeira essência da existência não reside naquilo que as nossas garras conseguem reter, mas naquivocada confiança Naquele que sustenta o voo.
Quando o peso do mundo nos puxa para baixo e as disputas da vida parecem nos desequilibrar, somos convidados a soltar o que nos prende, confiando que a nossa força não vem do que agarramos, mas da capacidade de continuar voando com o coração em paz.
"O Senhor deu, e o Senhor tomou; bendito seja o nome do Senhor."
— Jó 1:21
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