O perfume não deixou de ser perfume. O frasco continuou bonito, o valor continuou alto e, para quem olhava de longe, nada parecia ter mudado. Mas bastou uma mosca morta dentro dele para que aquilo que deveria exalar honra começasse a espalhar mau cheiro. É assim que muita gente vive. Continua com nome, posição, talento, aparência de força e até palavras bonitas, mas carrega dentro de si algo que já morreu e nunca foi retirado. Uma mágoa apodrecida, uma inveja escondida, uma mentira sustentada, uma vaidade alimentada em silêncio. O problema não é apenas ter sido atingido pela mosca. O problema é ter percebido o cheiro e preferido proteger o frasco. Tem gente defendendo a própria imagem enquanto a alma já denuncia contaminação. Eclesiastes não diz que o perfume perdeu a essência sozinho. Diz que algo morto permaneceu dentro dele tempo suficiente para inutilizá-lo. Talvez o que está estragando sua vida não seja o que entrou, mas o que você se recusa a tirar. Deus não quer maquiar o cheiro. Ele quer remover a causa.
Eclesiastes 10:1
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