A Palavra nos chama a sermos sal da terra e luz do mundo em ambientes escuros e inóspitos. Somos chamados a orar pelos inimigos, amar os que nos perseguem, andar a segunda milha, perdoar, suportar e testemunhar com mansidão e verdade. Portanto, o cristão não deve fugir de toda dificuldade relacional. Há arenas difíceis em que Deus nos coloca para amadurecer nossa fé e manifestar a graça de Cristo.
Há, porém, situações em que o cristão deve se afastar. Não afastar a oração, o perdão, a compaixão ou o desejo de restauração, mas sair de ambientes que sufocam a alma, destroem a fé, alimentam o medo, normalizam o abuso ou colocam a vida e a família em perigo. Perseverança cristã não é permanecer debaixo de mãos que esmagam, manipulam, violentam ou adoecem.
O Salmo 1 nos ensina: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” (Sl 1:1). Há caminhos nos quais o justo não deve andar. Há rodas nas quais não deve se assentar. Há conselhos que não deve receber. Há ambientes que não devem moldar sua alma.
Fuja das mãos que sufocam. Fuja de relações que o empurram continuamente para longe de Deus, que apagam sua alegria em Cristo, que usam culpa para controlar, medo para prender e intimidação para dominar. Isto não é amor. Não é discipulado. Não é comunhão. Não é cuidado. É opressão.
É claro que devemos agir com prudência. Nem todo conflito é abuso. Nem toda dificuldade exige afastamento. Nem toda dor relacional significa que Deus está nos mandando sair. É importante ter este discernimento. Mas quando há violência, ameaça, destruição emocional, manipulação persistente ou perigo real, buscar ajuda e estabelecer distância, quando possível, pode ser uma expressão de sabedoria.
Ore por quem o feriu, mas não entregue sua alma ao sufocamento. Perdoe, mas se exponha desnecessariamente a quem o oprime. Ame, mas guarde o coração. O mesmo Deus que nos chama a perseverar também nos ensina a discernir o caminho dos justos. Em Cristo, é possível amar com compaixão e caminhar com cuidado da própria alma. Busque em Deus este discernimento.
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