1 Samuel 10:1. Samuel colocou azeite sobre a cabeça de Saul, mas não colocou a própria consciência nas mãos do rei.
Esse é o ponto.
O profeta reconhece a escolha de Deus sem transformar o escolhido em objeto de devoção.
Samuel unge Saul e o beija. O gesto comunica honra, reconhecimento, confirmação. Mas Samuel não se prostra diante daquele que acabou de ungir.
Porque existe uma diferença entre honrar uma autoridade e se tornar propriedade dela.
Samuel sabia quem Saul era.
Mas também sabia quem Deus era.
O texto ainda é mais preciso. Samuel não apresenta Saul como o rei absoluto de Israel. Ele o chama de nagid, capitão, líder, príncipe. A autoridade de Saul era recebida, não originária.
Saul teria um trono. Mas o trono não seria dele em sentido absoluto. Israel continuava pertencendo ao Senhor.
O problema começa quando homens que receberam autoridade passam a acreditar que receberam soberania.
O sacerdote pode entrar no palácio. Pode ungir o rei. Pode honrar sua posição. Pode apertar sua mão. Mas não pode vender sua consciência para permanecer perto dele.
Porque o dia em que o altar se curva ao palácio é o dia em que a voz profética começa a morrer.
Há ministros que perderam a liberdade não porque foram presos, mas porque ficaram dependentes de quem poderiam confrontar.
O palácio não precisou calá-los. Bastou oferecer acesso. Samuel nos ensina outra postura. Ele derrama o azeite sobre Saul, mas conserva a própria coluna diante de Deus.
A unção não o tornou súdito do ungido.
Nenhum trono é absoluto.
Nenhum cargo é eterno.
Nenhuma autoridade humana está acima da Palavra.
O sacerdote pode estar diante do palácio.
Mas o seu joelho continua pertencendo ao altar.
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