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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

DESCONTENTAMENTO

 Há uma estreita ligação entre descontentamento e endividamento pessoal. Preciso, inicialmente, reconhecer que os motivos que levam alguém a se endividar são muitos. Desemprego, doença, inflação, crises familiares, falta de organização, descontrole, imprevistos e até injustiças sociais pesam sobre o bolso e sobre a mesa. Mas gostaria de tratar aqui de apenas um aspecto que, por vezes, passa despercebido, que é a ligação entre o descontentamento do coração e as dívidas.

Quando o coração perde o descanso, ele passa a procurar alívio em substitutos. E o mercado oferece esses substitutos em doses diárias. Um item novo, uma marca de destaque, uma viagem bonita ou qualquer outra coisa que promete significado e alegria. Assim, o consumo deixa de ser resposta a uma necessidade real e passa a ser tentativa de preencher um vazio. Não raro, o resultado é comprar para acalmar a alma. Mas o alívio dura pouco e a conta fica.
Paulo nos ensina um caminho de sobriedade e liberdade: “Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm 6:7-8). Em outras palavras, aquele que tem em Cristo a sua plena fonte de satisfação não precisará de coisas extras para sustentar o coração. Ele pode usufruir, mas não depende do que adquire para ser feliz.
O problema não está em comprar o que é necessário. A Bíblia não censura o trabalho, a provisão, o descanso, a alegria, a boa mesa, nem o lazer. Podemos comprar o que precisamos, viajar, nos divertir, descansar, presentear e celebrar. O desvio começa quando o centro da satisfação deixa de ser Cristo e passa a ser bens, posses e experiências. Quando isso acontece, nossas escolhas se tornam desordenadas. A vontade vira comando. O desejo vira urgência. E o coração começa a justificar o injustificável.
Por isso, tanta gente compra o que não precisa com o dinheiro que não tem, para buscar uma satisfação que não dura. Por vezes, a dívida é mais do que um problema social ou de organização financeira, mas um sintoma espiritual. Em tais casos, ela pode revelar um coração inquieto, preso à comparação, à pressa, à necessidade de impressionar, ou à ilusão de que uma compra pode curar uma angústia ou fazer sorrir o coração. Assim, trate o seu consumo como mordomia diante de Deus. Ore antes de decidir, estabeleça limites, aprenda a esperar, planeje com disciplina, e pratique a gratidão diária. Quando Cristo volta a ser o centro, o coração desacelera. E, quando o coração desacelera, as mãos deixam de correr atrás do que é supérfluo.

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