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sábado, 21 de fevereiro de 2026

TEMPESTADE



Anos atrás visitei um irmão em um hospital. Ele havia sido acometido por um câncer agressivo e enfrentava um tratamento prolongado e dolorido. Fui preparado para encorajar e consolar, mas tamanha foi a minha surpresa ao encontrá-lo com palavras de gratidão e contentamento em Cristo. Falou com simplicidade sobre a salvação em Jesus, sobre sua família, sobre o cuidado dos profissionais, sobre o próprio hospital e até mesmo sobre um livrinho que havia ganhado e que conseguia ler naqueles dias difíceis. Saí daquele quarto com uma certeza renovada: nossa alegria em Cristo não é definida pelas circunstâncias, mas por nosso relacionamento com Deus.


Paulo escreve aos filipenses em meio a pressões reais e, ainda assim, nos exorta: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4:6). Note o caminho que o apóstolo apresenta. Há dois passos contínuos para quem deseja experimentar a paz de Deus no meio da tempestade: oração e gratidão.

Oração é fácil de entender. Quando a dor chega, o coração corre para Deus. Clamamos por socorro, pedimos direção, suplicamos força. A tempestade nos lembra que não somos autossuficientes e que o Senhor é o nosso refúgio.


Mas gratidão parece mais difícil. Gratidão no meio da enfermidade, da crítica, das perdas e dos processos dolorosos da vida? Gratidão pelo quê? A Palavra nos ensina que existem motivos perenes, inabaláveis, que não dependem do cenário. Mesmo que caminhemos pelo vale da sombra da morte, três motivos permanecem como rocha sob nossos pés. Deus é Deus, e nada foge ao seu governo santo, pleno e sábio. Deus é fiel, e não abandona os seus filhos na hora escura. Deus luta por nós, e sua mão não perdeu força, sua providência não adormeceu e seu amor não se esgotou.


Assim, guarde o coração. Em dias de tempestade, discipline a alma a orar e a agradecer. Que seus passos diários sejam estes: oração e gratidão. Faça memória diária do que não muda: quem Deus é, como Ele tem sido fiel, e como Ele sustenta a sua vida. E você perceberá que a paz não nasce da ausência de dor, mas da presença do Senhor.



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