A cultura do nosso tempo é marcada pela vitrine. Muitos vivem para impressionar os outros, exibindo conquistas, aparência, palavras e até espiritualidade. Esta cultura é nociva ao cristão porque desloca o centro do coração. Em vez de vivermos diante de Deus, começamos a viver diante do olhar alheio. E, quando a plateia se torna o nosso tribunal, passamos a decidir com base em aplausos, não em convicções. O resultado é uma fé frágil, ansiosa e dependente de aprovação humana.
Paulo nos confronta de forma direta: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1:10). Ele mostra que agradar a homens, como propósito de vida, é incompatível com servir a Cristo. Mais adiante, ao lembrar o modo como anunciava o evangelho, Paulo afirma: “... assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração” (1Ts 2:4). Note o ponto central: Deus prova o coração. Não apenas as palavras, nem apenas os resultados, mas as motivações.
Portanto, duas aplicações se tornam necessárias. A primeira diz respeito ao que você consome. Não compre o que você não precisa com o dinheiro que você não tem para impressionar a quem você não conhece. Vivemos em um país com muitos endividados. Há várias razões para isso, mas uma delas é o consumismo orientado pelo desejo de parecer bem, de sustentar uma imagem e manter um status. Cuidado! A vitrine cobra caro. Ela rouba a paz, endivida o bolso, compromete o futuro, aprisiona a família e alimenta a vaidade. O cristão é chamado à sobriedade. Contentamento e simplicidade são atos de fé.
A segunda aplicação é sobre a sua real aprovação. Paulo orienta Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2:15). Observe: é “a Deus” que devemos nos apresentar. É Ele quem aprova ou reprova. A pergunta decisiva não é: o que as pessoas pensam de mim? A pergunta é: como Deus me vê? Ele conhece o secreto, pesa o coração e julga com justiça. Devemos ter muito cuidado para não sermos aprovados pelos homens e reprovados por Deus.
Portanto, viva para um único olhar, o do Senhor Deus. Deixe que a sua identidade seja firmada nele. E, quando a tentação de impressionar surgir, escolha agradar a Cristo. A aprovação dele vale mais do que todos os aplausos do mundo.
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