Vivemos em uma cultura que se apega a coisas fúteis como se fossem os tesouros mais preciosos. Popularidade, influência, posses e até roupas se tornam motivos dos maiores destaques. Assim, perde-se a real noção do que, de fato, tem valor. O resultado é tratar a futilidade como tesouro e o tesouro como algo secundário. Quando isso acontece, a alma passa a viver ansiosa e inquieta, e o descontentamento se instala no coração.
Jesus nos adverte: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam” (Mt 6:19-20). Há tesouros que nos prometem segurança, mas são frágeis. Há conquistas que parecem definitivas, mas são passageiras. Se o nosso maior tesouro está no que pode ser perdido, então a nossa paz será sempre refém do medo.
Jesus também contou uma parábola que ilumina o caminho do contentamento: “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo” (Mt 13:44). Aqui aprendemos, primeiro, que o verdadeiro tesouro não é fabricado por nós, mas encontrado pela graça. Segundo, que quando o Reino é visto com clareza, todas as prioridades são colocadas na perspectiva certa. O homem vende tudo, não por imposição ou cobrança, mas por alegria transbordante. Terceiro, que o maior tesouro não é um objeto do campo, mas o próprio Reino de Deus, isto é, Deus reinando sobre nós, em Cristo, reconciliando-nos, sustentando-nos e conduzindo-nos.
Nesse contexto, há três verdades sobre o contentamento que precisam estar claras. A primeira é que contentamento não é possuir mais; é pertencer a Cristo. Assim, pare de comprar o que você não precisa com recursos que você não tem para impressionar quem você não conhece. Isso é correr atrás do vento. A segunda é que o contentamento não nasce do controle das circunstâncias, mas da confiança no Rei que governa todas elas. Portanto, se as circunstâncias o apertam, olhe para a cruz, pois ali vemos a maior demonstração de amor e fidelidade do nosso Pai. A terceira é que o contentamento cresce quando trocamos pseudo tesouros pela significativa e infindável alegria de pertencermos ao Reino de Deus. Esse verdadeiro tesouro não pode ser roubado ou perdido, e tem valor eterno.
Onde está o seu maior tesouro? “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6:21). A que você dedica o melhor do seu tempo, sua vida e seus dons? Deixe de correr atrás do vento e peça ao Senhor que Ele faça Cristo ser, de novo, o centro da sua vida, tempo, atenção e contentamento. Quando Ele é o nosso tesouro mais precioso, a alma descansa, a vida se alegra e reencontramos nosso real propósito de existência.
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