Existe um espaço de equilíbrio entre a pressa e a calmaria. Nem tanto o céu, nem tanto a terra. Há tempo compreendi que a vida deve estar em movimento. Gosto demais de viver de forma dinâmica e otimista. Fico atento para compreender as tendências do mundo. No entanto, muitas vezes tive que esperar. Mas esperar pode ser necessário em certas fases, mas quando se transforma em paralisação constante, acaba alimentando medo e insegurança. O coração humano, por receio de errar, adia decisões, posterga gestos, silencia desejos legítimos. No entanto, a vida não se revela completamente a quem apenas observa. Ela responde ao passo dado, ainda que tímido, à tentativa imperfeita, à coragem de começar sem todas as garantias. Mover-se não significa agir impulsivamente, mas sair da inércia que enfraquece o espírito. Deus não conduz pela força, mas acompanha quem se dispõe a caminhar. Muitas portas só se mostram depois que alguém decide avançar. A fé não é espera passiva, é confiança que se traduz em atitude. Há sonhos que amadurecem enquanto são colocados em prática, não enquanto permanecem no campo das ideias. O medo de falhar pode parecer proteção, mas também é prisão disfarçada. O movimento, mesmo pequeno, devolve vitalidade ao coração. Ele ensina que aprender faz parte do percurso, que nem toda tentativa precisa ser perfeita para ser válida. A vida respeita quem se compromete com o próprio crescimento. Quando se escolhe agir, algo se reorganiza por dentro, a esperança ganha forma concreta, a vontade encontra direção. Deus sustenta o passo, ilumina o discernimento, fortalece a perseverança. Não se trata de correr sem reflexão, mas de não deixar que a reflexão se torne desculpa permanente. O caminho se constrói enquanto é percorrido. Cada decisão consciente abre novas possibilidades e revela horizontes antes invisíveis. Permanecer apenas esperando pode parecer prudência, mas muitas vezes é fuga do chamado interior. Há um tempo de silêncio e há um tempo de ação. Quando o coração entende essa diferença, encontra equilíbrio. E ao se mover com responsabilidade e fé, descobre que a resposta da vida já estava à espera do primeiro passo. Viver é muito bom.
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