Em alguns momentos, realmente não queremos dizer mais nada. Tenho silenciado em determinadas situações e o resultado se faz presente quase que imediatamente. Acontece que vamos acumulando e suportando até que, num momento qualquer, decidimos silenciar. Chegar ao limite não acontece de repente. É um acúmulo de tentativas, explicações repetidas, esforços que não encontraram escuta. Aos poucos, a palavra perde o brilho, o argumento se torna inútil, e o coração prefere o recolhimento ao desgaste. Esse silêncio não nasce da indiferença, mas da saturação. Há momentos em que falar já não constrói, apenas prolonga um cansaço que pede pausa. Reconhecer esse ponto é sinal de consciência, não de fraqueza. O ser humano não foi feito para suportar indefinidamente aquilo que fere sua dignidade ou ignora seus sentimentos. Quando a vontade de explicar se esgota, algo dentro pede cuidado. Deus compreende esses limites mais do que qualquer discurso. Ele conhece o que foi tentado, o que foi suportado, o que foi silenciado por amor ou por esperança. Há uma sabedoria silenciosa em saber recuar, em escolher a paz interior em vez de debates intermináveis. Nem toda batalha precisa ser vencida, algumas precisam apenas ser encerradas. O limite não é derrota, é proteção da própria integridade. O coração amadurece quando aprende a distinguir persistência de desgaste inútil. Permanecer onde não há diálogo verdadeiro pode adoecer o espírito. Por isso, há momentos em que o silêncio se torna forma de respeito consigo mesmo. Não é abandono do outro, é preservação da própria saúde interior. Deus não exige que alguém se perca para provar fidelidade. Ele deseja inteireza, não exaustão. Ao aceitar o próprio limite, a alma encontra espaço para reorganizar forças, para refletir com mais clareza, para decidir com serenidade. O silêncio, então, deixa de ser peso e se transforma em abrigo. Nele, o coração recupera a dignidade de não precisar convencer a qualquer custo. E ao reconhecer que já fez o possível, encontra paz na escolha de guardar suas palavras, confiando que o que precisava ser dito já foi entregue.
Nenhum comentário:
Postar um comentário