O coração humano, quebrado pelo pecado, tende naturalmente à reclamação e ao murmúrio. Mesmo quando há abundantes motivos de gratidão, não é difícil perceber como nossas palavras se inclinam a enxergar primeiro o que falta, o que incomoda ou o que não saiu como queríamos. A boca apenas revela o que o coração já alimenta. E, quando a reclamação se torna hábito, ela deixa de ser apenas desabafo e passa a ser uma forma de interpretar a vida, como se Deus estivesse ausente, indiferente ou atrasado.
A Palavra nos chama a outra postura: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas” (Fp 2:14). O peso está na palavra “tudo”. Não se trata de uma espiritualidade seletiva, que louva quando é fácil e reclama quando dói. O texto nos convoca a viver, a agir, a servir, a responder, a trabalhar, a conviver, a enfrentar crises e rotinas, sem murmurações e sem conflitos. Isto não é repressão emocional, é direção espiritual. É reconhecer que o Senhor reina também sobre o ordinário, sobre o difícil e sobre o inesperado.
Para isso, precisamos compreender que tudo o que o Senhor faz, e tudo o que Ele permite, tem propósitos. Nem sempre Ele nos explica o caminho, mas sempre nos chama a confiar. Muitas vezes, a providência de Deus não nos poupa da tempestade, mas nos amadurece dentro dela. A reclamação, porém, nos rouba esta percepção, pois ela fecha os olhos para a graça e abre a alma para a amargura.
Portanto, pare de reclamar da sua família. Deus o colocou ali para você florescer, aprendendo a amar, a perdoar, a servir e a crescer. Pare de reclamar do lugar onde você mora, estuda ou trabalha. Deus o colocou onde você está para você florescer, dando testemunho da fidelidade de Deus, influenciando pessoas com o evangelho de Cristo e desenvolvendo maturidade espiritual. Pare de reclamar da sua igreja. É ali que o Senhor o encoraja, disciplina, consola e corrige, e o usa para edificação de outros.
Faça um exercício hoje. Quando a reclamação vier, transforme-a em oração. Quando a murmuração subir aos lábios, substitua-a por gratidão. E você verá que, ao silenciar o murmúrio, o coração volta a ouvir a voz do Senhor.
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