Uma das minhas tarefas diárias é selecionar o que me faz bem. Vivemos num tempo de muitas ofertas e de incontáveis insistências de consumo e de posturas de vida. Nem tudo me convém, por isso procuro ser seletivo em tudo. Para proteger a saúde emocional e mental, não convém aceitar tudo. Bem sabemos que a vida não se constrói apenas pelas grandes escolhas, mas também pelos pequenos consentimentos diários. Cada vez que se aceita menos do que se sabe merecer, algo dentro se enfraquece. Não é questão de orgulho, é questão de dignidade. O coração humano foi criado para relações respeitosas, para ambientes que favoreçam crescimento, para experiências que não diminuam sua essência. Quando se normaliza o desrespeito, a indiferença ou a negligência, abre-se espaço para que essas realidades se repitam. Aceitar não é apenas suportar, é autorizar permanências. Por isso, discernir o que se permite na própria vida é ato de responsabilidade interior. Deus não deseja que ninguém viva em constante submissão ao que fere. Ele nos chama à liberdade madura, à consciência de que somos portadores de valor que não pode ser negociado. Estabelecer limites não é afastar amor, é proteger o que há de mais verdadeiro em si. Muitas vezes, o medo de perder faz com que se aceite o inaceitável. No entanto, permanecer em situações que diminuem a própria dignidade também é forma de perda. A autoestima saudável nasce quando se reconhece que não é preciso implorar por respeito ou afeto. O que é verdadeiro permanece sem exigir anulação pessoal. A vida responde ao modo como nos posicionamos. Quando se aceita pouco, pouco se recebe. Quando se honra o próprio valor, o entorno começa a se reorganizar. Deus sustenta quem escolhe viver com consciência, mesmo que isso implique renúncias difíceis. O amor autêntico nunca exige que alguém se reduza para caber. Ele amplia, fortalece, dignifica. Aprender isso transforma a maneira de caminhar. O coração deixa de se contentar com migalhas e passa a buscar relações e experiências alinhadas com sua verdade. Assim, a existência se torna mais coerente com aquilo que se é. E ao reconhecer o próprio valor, a pessoa descobre que merece o que constrói, não o que apenas tolera.
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