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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

FILHOS

 1 Crônicas 7.23,25

Efraim perdeu seus filhos Ezer e Eleade. Eles foram mortos pelos homens de Gate quando tentavam tomar o gado daquela região. A tragédia entrou na casa de Efraim e deixou uma marca profunda. Depois disso, nasceu outro filho. Efraim chamou seu nome de Berias, porque a calamidade havia atingido a sua casa.


O menino recebeu um nome que nasceu da dor do pai.

Berias cresceu carregando no próprio nome a memória de uma tragédia que ele não provocou. Ele não escolheu aquela história. Não foi responsável pela morte dos irmãos. Mas recebeu sobre si a linguagem de uma casa ferida.


Aqui está uma das coisas mais impressionantes desse texto.

Berias poderia ter transformado a dor recebida em herança para a próxima geração. Poderia ter aprendido a reproduzir aquilo que recebeu. Mas quando teve um filho, chamou seu nome de Refa.

A história começa com calamidade e continua com cura.

É como se Berias tivesse decidido que aquilo que marcou sua infância não teria autoridade para marcar sua descendência.

Existem pessoas que passaram pela dor e decidiram fazer da dor uma identidade. Tudo o que sofreram se transforma em argumento para ferir alguém. Foram rejeitadas e rejeitam. Foram humilhadas e humilham. Foram abandonadas e abandonam. Receberam uma casa emocionalmente quebrada e entregam aos filhos os mesmos escombros.

Mas Berias nos apresenta outro caminho.

Você não escolhe tudo aquilo que recebe, mas pode escolher o que vai entregar.

Nem toda herança precisa ser perpetuada.

Há coisas que chegaram até você para terminar em você.

Seu filho não precisa conhecer a mesma ausência que você conheceu. Sua família não precisa repetir os mesmos padrões. Sua casa não precisa continuar reproduzindo aquilo que você sofreu.


Berias não conseguiu apagar o passado. Mas conseguiu impedir que o passado escrevesse o futuro.


Isso é maturidade espiritual.

Cura não é fingir que a ferida nunca existiu. É impedir que ela continue ferindo quem não a causou.

Berias recebeu um nome marcado pela calamidade, mas deu ao seu filho um nome associado à cura.

Que a sua geração encontre em você o ponto onde o ciclo termina.


De Berias para Refa. 


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