1 Crônicas 7.23,25
Efraim perdeu seus filhos Ezer e Eleade. Eles foram mortos pelos homens de Gate quando tentavam tomar o gado daquela região. A tragédia entrou na casa de Efraim e deixou uma marca profunda. Depois disso, nasceu outro filho. Efraim chamou seu nome de Berias, porque a calamidade havia atingido a sua casa.
O menino recebeu um nome que nasceu da dor do pai.
Berias cresceu carregando no próprio nome a memória de uma tragédia que ele não provocou. Ele não escolheu aquela história. Não foi responsável pela morte dos irmãos. Mas recebeu sobre si a linguagem de uma casa ferida.
Aqui está uma das coisas mais impressionantes desse texto.
Berias poderia ter transformado a dor recebida em herança para a próxima geração. Poderia ter aprendido a reproduzir aquilo que recebeu. Mas quando teve um filho, chamou seu nome de Refa.
A história começa com calamidade e continua com cura.
É como se Berias tivesse decidido que aquilo que marcou sua infância não teria autoridade para marcar sua descendência.
Existem pessoas que passaram pela dor e decidiram fazer da dor uma identidade. Tudo o que sofreram se transforma em argumento para ferir alguém. Foram rejeitadas e rejeitam. Foram humilhadas e humilham. Foram abandonadas e abandonam. Receberam uma casa emocionalmente quebrada e entregam aos filhos os mesmos escombros.
Mas Berias nos apresenta outro caminho.
Você não escolhe tudo aquilo que recebe, mas pode escolher o que vai entregar.
Nem toda herança precisa ser perpetuada.
Há coisas que chegaram até você para terminar em você.
Seu filho não precisa conhecer a mesma ausência que você conheceu. Sua família não precisa repetir os mesmos padrões. Sua casa não precisa continuar reproduzindo aquilo que você sofreu.
Berias não conseguiu apagar o passado. Mas conseguiu impedir que o passado escrevesse o futuro.
Isso é maturidade espiritual.
Cura não é fingir que a ferida nunca existiu. É impedir que ela continue ferindo quem não a causou.
Berias recebeu um nome marcado pela calamidade, mas deu ao seu filho um nome associado à cura.
Que a sua geração encontre em você o ponto onde o ciclo termina.
De Berias para Refa.
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