O que mais me impressiona nessa história não é apenas o fato de alguém ter tirado Jeremias de uma cisterna. É o cuidado que existiu no meio do resgate. Jeremias estava afundado na lama, fraco, vulnerável, e seria fácil simplesmente jogar uma corda e puxá-lo dali. Mas aquele homem pensou em algo que quase ninguém pensaria: nas marcas que a corda poderia deixar. Ele pegou trapos e roupas velhas e mandou Jeremias colocar debaixo dos braços para não se machucar ainda mais. Isso mexe comigo porque revela um tipo de cuidado que está ficando raro. Tem gente que ajuda, mas machuca. Corrige, mas humilha. Aconselha, mas expõe. Estende a mão, mas deixa cicatrizes no processo. A Bíblia faz questão de registrar esse detalhe porque, para Deus, não importa apenas quem tirou alguém do buraco. Importa também como tratou essa pessoa enquanto a tirava. E só depois de olhar para esse cuidado vale conhecer o nome dele: Ebed-Meleque. Um homem pouco lembrado, quase escondido no texto, mas que me ensina uma coisa enorme. Cuidado de verdade percebe onde dói. Não faz apenas o necessário. Faz com misericórdia. E Deus viu isso. Depois, o próprio Senhor manda uma palavra para preservar a vida dele. Talvez ninguém tenha celebrado os trapos, talvez ninguém tenha percebido a delicadeza daquele gesto, mas Deus percebeu. Jeremias 38:7-13; 39:15-18.
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