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domingo, 9 de agosto de 2026

DIA



Outro dia, vi um evento que falava em “destravar”, “ser vencedor” e alcançar seus mais difíceis sonhos. A proposta seria usar as estratégias certas e os conceitos mais adequados, aplicando-os ao dia a dia. Até aí, tudo bem. Sei que a linguagem constrói mundos e produz efeitos visíveis. No entanto, tudo muda quando esse mesmo esquema de exercícios pessoais ou a utilização eloquente de instrumentos do marketing e da retórico misturam-se com esperança religiosa, ganham valor sagrado e são tratados como se fossem o próprio evangelho.


É importante lembrar que “sucesso”, “vitória”, “poder”, “liderança” ou “conquista” na tradição bíblica não significam exatamente o que esses cursos e programas de “aceleração” propõem. Em Gálatas, Paulo contraria tais expectativas quando afirma que só se gloriará na cruz de Cristo (Gl 6.4). Em Filipenses, o apóstolo frusta interpretações triunfalistas da vida e exorta: “sei passar falta, e sei também ter abundância; […] ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade” (Fl 4.12). 


Não me importo, e respeito, os profissionais que ajudam pessoas a darem passos mais sólidos em suas carreiras ou vida pessoal. Também tenho pouca a dizer sobre fórmulas técnicas que convencem pessoas a comprarem produtos. No entanto, é irresponsável colocar um verniz da fé cristã em produtos do mercado.

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