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terça-feira, 11 de agosto de 2026

DEUS


“porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.21).

O que se chama hoje de “diversidade” nada mais é do que um relativismo ontológico, quando o próprio ser humano perdeu qualquer forma definida. Desde a Revolução Francesa de 1789, os conceitos concernentes à essência da humanidade passaram a sofrer deformidades, o início do processo que levou à calamidade existencial que presenciamos em nossa sociedade. Até o século XVIII, embora já em franco processo de enfraquecimento, devido ao fato de ter sido modelada por uma cosmovisão centrada nas Escrituras, a sociedade ocidental ainda percebia o ente humano por sua essência, o que foi rotulado de “essencialismo”. A partir de então, começaram a surgir tendências não-conformistas, que primavam pela rebelião contra todos os princípios que regiam a vida humana. No Iluminismo, movimento que tem como grande marco exatamente a Revolução Francesa, o homem já havia se tornado o centro de todas as coisas, como resultado do Humanismo e do Renascentismo que já vigoravam havia cerca de pouco mais de dois séculos.

Dessa forma, a busca pela satisfação humana, o prazer como objetivo de vida, acentuou o hedonismo como regra para uma sociedade que se afastava dos conceitos cristãos a passos largos. No entanto, o frame, a moldura da sociedade, havia de permanecer cristã por todo o século XX. Todavia, o apagar das luzes do século passado anunciava, também, a ruína das fronteiras cristãs na sociedade ocidental. Hoje já há movimentos de anticristianismos na Europa e nos Estados Unidos que pregam que o ser humano não pode experimentar autêntica felicidade enquanto a religião cristã existir. Dessa forma, franca e abertamente, proclamam a extinção do cristianismo e militam pela extinção das Igreja Cristãs. A grande bandeira levantada por esses movimentos está fincada exatamente na questão dos costumes. Para os seus defensores e proponentes, o cristianismo é pernicioso pois regra a sociedade e estabelece modelos de comportamentos, algo que para eles equivale à verdadeira tristeza e amargura.

Não é por acaso que tais movimentos encontraram nos grupos feministas e homossexuais valiosos e ardorosos aliados. Como não poderia deixar de ser, a política se oportuniza das militâncias das chamadas “minorias”, dos “oprimidos”, para manipulá-las a fim de alcançar e permanecer no poder, como temos visto em nosso país. Existe, de fato, espaço para diversidade, mas que jamais pode ser reconhecida na completa ausência de limites como é a que tem sido propalada atualmente. Deus não criou clones. A obra criadora de Deus não foi a reduplicação de seres. O Criador é criativo! Não há duas pessoas com as mesmas digitais. Mesmo gêmeos univitelinos apresentam temperamentos diferentes.

No entanto, nada do que fez o Senhor originalmente tinha existência aleatória, com se a Criação fosse um eterno acaso. O homem e a mulher criados no Éden refletiam perfeita e naturalmente a ordem criada. Não eram necessários princípios normativos para que eles pudessem aprender a viver. Tudo já estava escrito nas tábuas de seus corações. O Espírito Santo estava neles. Eles tinham impingida a face de Deus, um recipiente que não apenas parecia com o Criador, mas no qual o próprio Deus habitava. A partir da queda, o pecador passou a necessitar de ensinamento, de orientação para saber como viver.

O texto epigrafado faz parte da grande acusação que o apóstolo Paulo faz contra toda a humanidade logo no início da Carta aos Romanos. Estão debaixo da ira de Deus! Os homens preferiram a impiedade e a injustiça como procedimento, abandonando o verdadeiro conhecimento de Deus. Então, diz o apóstolo Paulo: “tornaram-se nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato”. A revolta contra Deus é revolta contra si mesmo, pois o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Estamos acostumados a pensar na imagem e semelhança de Deus no homem como algo relativo apenas às capacidades. De fato, como Deus não é matéria, não tem corpo, isso é uma necessidade essencial do ser divino, pois formas implicam limites, sua imagem e semelhança em Adão estava nas potencialidades espirituais que transmitiu ao homem, quando o criou. É o que a Teologia convencionou chamar de “atributos comunicáveis de Deus”.

Contudo, o homem não apenas “parecia” com Deus espiritualmente, mas era também templo de seu Santo Espírito. Quando o Senhor criou o primeiro homem fez do barro seu corpo e soprou em suas narinas o fôlego da vida. Entendamos com isso, que Adão não passou a existir apenas fisicamente, mas espiritualmente. Em outras palavras, o que foi soprado na humanidade não foi apenas o espírito humano, mas também o Espírito divino para habitar nela. Nosso Senhor Jesus Cristo haveria de fazer isso com seus discípulos (Jo 20.21), um prenúncio da volta da habitação plena do Espírito Santo que ocorreria a partir do Pentecoste. Assim, foi criado ser que manifestava Deus em sua alma, por suas características, e que portava o Criador em seu próprio ser.

Colocando isso de outra forma, a habitação do Santo Espírito de Deus era o conteúdo da imagem e semelhança de Deus. É como dizer que o homem foi criado com uma “máscara de Deus”, expressão cunhada por Lutero para ilustrar a doutrina da vocação, mas, que se fosse retirada, seria encontrado o próprio Deus. O homem não é divino, mas foi o ser que mais se aproxima do Criador no mundo visível (Sl 8.5). Permanece um abismo essencial que separa a existência de toda criatura do Criador.

Entendamos, assim, que, na queda, a imagem e semelhança do Senhor permanece no pecador, mas, uma vez que se tornou templo vazio, desocupado pelo único que pode preenchê-lo realmente, está espiritualmente morto e aplica erradamente suas potencialidades espirituais. Dessa forma, ao se afastar de Deus, o ser humano se afasta do modelo usado para sua criação, deformando sua própria humanidade. É isso o que é a diversidade pregada hoje: a deformação do homem em um mundo sem Deus. São seres humanos desorientados, consequência de seus próprios raciocínios contrários à verdade. O suposto grito de liberdade que acreditam ter dado diante do Deus cristão é, na verdade, a constituição de uma não-humanidade, a descaracterização da criatura humana, o não-ser, um ente disforme, algo em constante transformação. Na verdade, no Das-ein heideggeriano o homem pós-moderno encontrou essa liquidez, essa falta de padrão específico, uma identidade que tem como única norma o “não-ser” para apenas “estar” constantemente. Paradoxalmente, o conceito de identidade atual está no não se identificar com coisa alguma.

Longe de nós essa tragédia! Quero um filho que possa chamar de “filho” e uma filha que possa chamar de “filha”, jamais um “meninx”. O homem procura sua própria destruição a partir da indefinição de si mesmo, o que resulta a destruição da própria estrutura social, que tem a família como centro. Graças a Deus por conhecermos a verdade. As Escrituras são a única regra segura para viver. Lute pela afirmação dos princípios bíblicos! Fale da salvação em Jesus Cristo. As virtudes cristãs têm como finalidade ensinar ao homem o bem-viver, buscando a glória de Deus, restaurando cada vez mais em si o seu reflexo. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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