Tem horas em que eu agradeço a Deus por não expor tanto a minha vida. Porque, quando Deus decide tirar alguém do anonimato, quem olha de fora quase nunca sabe o que aconteceu antes.
Essa pessoa que me escreveu claramente não conhece a vida da Dizete. Se soubesse quantos convites eu já recusei, quantos podcasts grandes eu já disse “não”, quantas portas eu não atravessei porque entendi que ainda não era a hora, talvez nunca tivesse me perguntado se eu tenho medo de perder agenda.
E eu não digo isso para me engrandecer. Digo porque existe uma diferença entre oportunidade e direção.
Nem toda porta aberta precisa ser atravessada.
Eu já fiz compromissos muito sérios com Deus sobre a forma como quero conduzir aquilo que Ele colocou nas minhas mãos. Quem me acompanha sabe que eu não quero transformar a Palavra em moeda de troca.
Se um dia Deus me mandar sair daqui e falar em outros lugares, eu irei. Mas não porque preciso de palco, convite ou proximidade com gente famosa.
Por isso aquela mensagem primeiro me alegrou. Era alguém que eu admirava muito, uma pessoa com milhões de seguidores dizendo que eu tinha falado aquilo que ela gostaria de falar.
Mas logo depois meu coração ficou triste.
Porque ela me disse que não falava por medo de perder agenda.
E eu pensei: que triste ter tanta influência e ainda assim não se sentir livre para usar a própria voz.
Gálatas 1:10 pergunta: “Procuro eu agora o favor dos homens ou o de Deus?”
Essa pergunta serve para ela, para mim e para todos nós.
Um dia os números desaparecem, os convites acabam, os eventos passam.
E sobra aquilo que fizemos com a voz que recebemos.
Talvez o maior cárcere não seja perder uma agenda.
Talvez seja precisar tanto dela a ponto de perder a liberdade de falar.
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