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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

SOFISMA

 Quando o que funciona passa a ser considerado verdadeiro


Existe uma lógica particularmente perigosa que pode se estabelecer no ambiente evangélico sem jamais ser anunciada como uma nova doutrina. Ela não precisa negar a Bíblia, rejeitar explicitamente a autoridade das Escrituras ou abandonar publicamente a linguagem cristã. Pelo contrário, muitas vezes consegue permanecer perfeitamente acomodada dentro do vocabulário da fé, enquanto modifica silenciosamente a maneira pela qual a igreja passa a avaliar aquilo que faz. Seu princípio é aparentemente simples: se determinada prática produz resultados, então ela deve ser boa; se produz crescimento, deve ser aprovada; se atrai pessoas, deve ser eficaz; e se é eficaz, por que questioná-la?


É justamente nesse ponto que precisamos parar e pensar.


O problema não está em reconhecer que determinadas estratégias podem ser úteis ou que uma igreja deve avaliar com responsabilidade aquilo que realiza. O problema começa quando a eficácia passa a funcionar como critério de verdade. Quando o sucesso de uma prática se transforma na principal evidência de que Deus a aprovou, deixamos de perguntar se aquilo é fiel às Escrituras e começamos a perguntar apenas se aquilo produz o resultado que desejamos. A partir daí, o crescimento pode se tornar uma justificativa, os números podem assumir o lugar da avaliação teológica e a experiência pode ser utilizada para legitimar aquilo que jamais foi demonstrado biblicamente.


É nesse ambiente que o pragmatismo religioso encontra terreno fértil. E é também aqui que surge aquilo que podemos chamar de sofisma pragmático: um raciocínio que parece convincente porque parte de um resultado real, mas que transforma esse resultado em uma conclusão que ele, por si mesmo, não pode sustentar. Uma igreja pode crescer e ainda assim precisar corrigir sua doutrina. Uma estratégia pode atrair multidões e ainda assim ser inadequada para a missão da Igreja. Uma prática pode produzir entusiasmo e, mesmo assim, não possuir fundamento suficiente nas Escrituras. O fato de algo acontecer depois de determinada ação não significa, por si só, que Deus tenha estabelecido aquela ação como legítima.


Essa distinção é fundamental porque a história do cristianismo demonstra que nem sempre aquilo que é popular é verdadeiro, nem aquilo que é numericamente expressivo é necessariamente saudável. A Igreja não recebeu das Escrituras a autorização para determinar a verdade pela quantidade de pessoas que aderem a uma ideia, pelo alcance de uma metodologia ou pela eficiência de determinado modelo. Seu chamado é mais profundo e, justamente por isso, mais exigente: permanecer debaixo da Palavra de Deus, mesmo quando a fidelidade parece menos eficiente, menos atraente ou menos recompensadora aos olhos de uma cultura orientada por resultados.


Talvez o problema mais sério do pragmatismo não esteja naquilo que ele afirma, mas naquilo que ele silenciosamente nos ensina a deixar de perguntar. Quando nos acostumamos a perguntar apenas “funciona?", corremos o risco de esquecer perguntas muito mais importantes: “é verdadeiro?”, “é bíblico?”, “é fiel ao Evangelho?” e “podemos realmente afirmar que Deus ordenou isso?”**


O artigo “O Sofisma Pragmático no Meio Evangélico” parte justamente dessa inquietação para examinar uma lógica que pode parecer inofensiva, mas que possui consequências profundas para a vida da Igreja. A questão não é simplesmente discutir métodos, estratégias ou modelos de crescimento; é investigar o que acontece quando os resultados começam a determinar aquilo que consideramos legítimo e quando aquilo que funciona passa, pouco a pouco, a ocupar o lugar que pertence àquilo que é fiel.


Porque, no final, a pergunta decisiva não deveria ser apenas se conseguimos fazer uma igreja crescer, atrair pessoas ou produzir resultados. A pergunta que realmente importa é muito mais incômoda: **estamos construindo uma igreja que funciona aos olhos dos homens ou uma Igreja que permanece fiel diante de Deus?


📖 Leia o artigo completo no Instituto de Teologia Reformada John Wycliffe e examine criticamente o sofisma que pode estar por trás de algumas das práticas mais comuns do evangelicalismo contemporâneo.



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