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sábado, 14 de fevereiro de 2026

OUVIR

 Por entre esses dias, parei para ouvir uma canção. Era de alguém que, infelizmente, se afastou de Deus.


Estranhando minha escolha, alguém me perguntou: “Por que ouvi-lo? Ele já não é mais digno.” E, num primeiro momento, até parece fazer sentido, empurrá-lo mais fundo no abismo, como quem diz: “Escolheu o erro, então que sofra as consequências.”


E, olhando de fora, a lógica parece justa. Mas é aí que mora o perigo: começamos a achar normal declarar indignos os que tropeçaram, como se nos coubesse guardar Deus daquele que o feriu. Me diga, tem alguém aqui que é digno? Deus pode ver claramente as pedras em nossas mãos enquanto encobrimos nossos pecados de estimação.


Por favor, não me entenda mal. Não sou do time “um pé na igreja, outro no mundo”. Não estou falando de relativismo ou de compactuar com o pecado. Mas temo que, sem perceber, tenhamos nos tornado carrascos. 


Calma, pode ser muito pior, que tal oftalmologistas dos pecados dos outros?


Nos tornamos oftalmologistas dos pecados do outro, especialistas em enxergar seus deslizes, suas falhas, suas intenções mal resolvidas. 


Com precisão cirúrgica, detectamos cada mancha no olho alheio. Mas basta olhar no espelho da Palavra, e é possível ver que minha própria visão está embaçada, não é por miopia, mas por hipocrisia.


Jesus já havia diagnosticado essa cegueira seletiva. “Por que vês o cisco no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Mateus 7:3). Essa cegueira não está na incapacidade de ver, mas na disposição seletiva de olhar.


Vejo o erro do outro com lentes de aumento, mas passo por cima dos meus com filtro de misericórdia.

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