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sábado, 14 de fevereiro de 2026

VIDA

 A sensibilidade é um dom, pois provoca muitas alegrias. Me considero uma pessoa sensível, apesar de contabilizar algumas falhas. Posso afirmar que a sensibilidade é uma fonte de felicidade. Com certeza, a sensibilidade verdadeira não é fragilidade, é consciência dos próprios limites. Ela surge quando se abandona a ilusão de controle absoluto e se aceita que o mundo é maior do que as certezas que se acumulam. O ser humano cresce quando reconhece que o saber não é posse definitiva, mas caminho em constante revisão. Há uma rigidez que cansa, aquela que precisa ter razão o tempo todo, que reage antes de escutar, que fecha o coração por medo de parecer vulnerável. Essa rigidez empobrece as relações e estreita a experiência da vida. A sensibilidade, ao contrário, abre espaço para o encontro, permite aprender com o diferente, acolher o que não se entende de imediato. Deus se revela com mais clareza aos corações disponíveis do que aos corações inflexíveis. Ele não se impõe como certeza esmagadora, mas se insinua como convite à escuta e ao discernimento. Reconhecer que nem sempre se está certo não diminui o valor pessoal, liberta do peso de sustentar uma imagem impecável. Há uma sabedoria serena em admitir que o olhar é parcial, que a experiência do outro carrega verdades que não nos pertencem. Essa postura não enfraquece, humaniza. Torna o diálogo possível, suaviza conflitos, amadurece a fé. A vida não pede respostas prontas, pede abertura interior para aprender com o que acontece. Quando se cultiva a sensibilidade, o coração se torna mais atento aos sinais discretos, mais respeitoso com os tempos alheios, mais paciente consigo mesmo. Não saber tudo é condição para continuar aprendendo, não estar sempre certo é oportunidade de crescer em humildade. O orgulho endurece, a sensibilidade alarga. Ela ensina a escutar antes de reagir, a perceber antes de julgar, a permanecer em silêncio quando as palavras não ajudam. Nesse espaço interior mais amplo, a vida se organiza com mais verdade. As relações se tornam menos defensivas, a fé mais profunda, a existência mais leve. Ser sensível é escolher caminhar com menos arrogância e mais humanidade, confiando que o aprendizado continua enquanto houver disposição para escutar. E é nessa atitude simples e profunda que o coração encontra um modo mais verdadeiro de viver. 

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