Nesta série, temos refletido juntos sobre a confiança em Deus pela fé. Por isso, é de grande importância lembrarmos não apenas o que a fé é, mas também o que ela não é. Muitas distorções sobre a fé parecem espirituais, usam linguagem cristã e até citam textos bíblicos, mas colocam o ser humano no centro e tentam reduzir Deus a um instrumento dos seus desejos.
Primeiramente, fé não é a habilidade espiritual de determinar o nosso futuro. Não é a capacidade de impor a Deus o que queremos, como queremos e quando queremos. A fé bíblica não coloca Deus na posição de servo dos nossos planos, nem transforma a oração em uma ordem dirigida ao céu. A fé bíblica coloca perante o Senhor os planos, desejos e projetos, mas sempre se rende ao Pai.
Jesus nos ensinou isto no Getsêmani: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua.” (Lc 22:42). Esta é a oração da fé: a verdadeira expressão da necessidade e desejo, com uma confiante entrega à vontade do Pai. A fé não diz: Senhor, faça o que eu determinei. A fé diz: Senhor, este é o meu pedido e desejo, mas confio em ti que sabes o melhor para a minha vida.
Somos ensinados na Palavra a orar com fé e de forma insistente perante as nossas necessidades, bem como de outros ao nosso redor. Deus se agrada quando o seu povo ora. E Ele ama agir como resposta a essas orações. Assim, devemos orar por cura, provisão, livramento, paz, crescimento e salvação. Devemos orar por tudo aquilo que entendemos ser necessário, justo e bom, seja para nós, para os nossos ou para desconhecidos do outro lado do mundo. Devemos, porém, compreender que a oração, feita em nome de Jesus, deve buscar prioritariamente a vontade de Jesus. Por isto, a oração que Ele nos ensinou, possui uma abertura determinante: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:9-10). Buscamos a vontade de Deus.
Assim, cuidado com uma fé que tenta mandar no futuro, controlar Deus ou usar palavras religiosas para sustentar vontades pessoais. A fé genuína não é manipulação espiritual, nem determinação humana. É confiança humilde, reverente e obediente no Pai que sabe todas as coisas. Deus não é manipulado pela intensidade do nosso querer. A verdadeira fé descansa não no futuro que imaginamos, mas no Deus que governa o futuro com sabedoria, bondade e misericórdia.
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