Caim não odiava Abel porque Abel tivesse feito alguma coisa contra ele. Abel não roubou seu lugar, não tomou nada dele, não o humilhou, não falou mal dele. Mesmo assim, Caim começou a se incomodar. E é aí que essa história deixa de ser apenas sobre dois irmãos e começa a falar muito sobre nós.
Tem gente que nunca precisou ser ferida por você para começar a te rejeitar. Às vezes, o que incomoda não é o que você fez, mas o que a sua vida desperta dentro dela. Abel tinha algo que Caim queria: aprovação. E em vez de Caim olhar para si, corrigir seu caminho e entregar a Deus o melhor, ele escolheu transformar Abel no problema.
Deus ainda falou com Caim. Ainda mostrou que ele podia fazer diferente. Ainda avisou que o pecado estava à porta e que ele precisava dominá-lo. Ou seja, antes de Caim destruir Abel, Deus tentou tratar Caim.
Isso me confronta porque muita inveja nasce assim. A pessoa olha para você, mas a guerra está dentro dela. Você não tirou nada. Você não fez nada. Só existe alguma coisa na sua vida que expõe aquilo que ela ainda não resolveu na própria vida.
Mas essa história também precisa ser lida pelo outro lado. Porque é muito fácil se enxergar como Abel e nunca perguntar se, em alguma área, estamos agindo como Caim. Quando o crescimento de alguém incomoda demais, quando a aprovação de alguém pesa demais, quando a conquista de alguém começa a tirar a nossa paz, talvez o problema não esteja na pessoa.
Talvez Deus esteja tentando tratar alguma coisa dentro de nós.
Nem toda perseguição nasce de uma ofensa. Algumas nascem de comparação, frustração, inveja e de um coração que se recusou a ser tratado.
Abel não precisava diminuir para Caim crescer. Caim precisava mudar.
“Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta.”
Gênesis 4:7
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