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domingo, 16 de agosto de 2026

MÃE

 Duas mulheres chegaram diante de Salomão dizendo exatamente a mesma coisa: “O filho vivo é meu.” Não havia testemunhas. Não havia ninguém que pudesse confirmar a história. Era a palavra de uma contra a palavra da outra. E é justamente aí que 1 Reis 3 fica tão forte para mim: Salomão não tentou descobrir quem falava melhor. Ele criou uma situação em que o coração das duas apareceria.

Quando Salomão mandou trazer uma espada e disse que o menino seria dividido ao meio, a verdadeira mãe imediatamente abriu mão do próprio direito: “Dai-lhe o menino vivo e de maneira nenhuma o mateis.” Ela preferiu que outra mulher ficasse com seu filho a vê-lo morrer. A outra respondeu: “Nem meu nem teu; seja dividido.”

Foi assim que Salomão soube quem era a mãe.

Não pelo discurso. Pela reação.

Isso vai muito além daquela disputa por uma criança. Porque existem momentos em que você não consegue saber quem realmente ama você apenas ouvindo palavras. Tem gente que diz que ama enquanto consegue ter, controlar, decidir, participar. Mas basta perceber que perdeu o lugar que ocupava e começa a destruir aquilo que dizia amar.

A verdadeira mãe nos ensina uma coisa difícil: amor não é posse.

Quem ama de verdade pode até sofrer por perder um lugar, mas não precisa destruir aquilo que não pode mais ter. Não precisa difamar porque saiu. Não precisa ferir porque foi contrariado. Não precisa desejar que dê errado só porque não faz mais parte.

E talvez seja por isso que algumas situações precisam chegar ao limite para revelar corações. Enquanto tudo está acontecendo como queremos, muita gente parece amar. É quando existe a possibilidade de perder que descobrimos se era amor ou apenas necessidade de possuir.

Salomão pediu sabedoria para discernir entre o bem e o mal, e Deus colocou diante dele uma situação em que as palavras eram iguais, mas os corações eram completamente diferentes.

No fim, a verdadeira mãe não foi reconhecida porque lutou mais para ficar com o menino.

Ela foi reconhecida porque preferiu perder o que amava a destruir o que amava.

“Dai-lhe o menino vivo e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe.”

1 Reis 3:27



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