Há uma forma de ingratidão particularmente reveladora: morder a mão que se estendeu para levantar você e, depois, curvar-se diante daquele que o humilha.
A Bíblia chama isso de inversão do coração. O ser humano, quando perde Deus como centro, pode começar a medir pessoas pelo poder que possuem, e não pelo amor que demonstraram. Honra quem teme, despreza quem serve e confunde autoridade com dignidade.
Jesus, porém, apresenta outro caminho: “Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva” (Mt 20:26).
O Evangelho confronta nosso orgulho porque revela que, diante de Deus, todos somos dependentes da graça. A mão que hoje ajuda pode amanhã precisar ser ajudada. O poder é passageiro; a dignidade humana não deveria ser determinada pela posição que alguém ocupa.
Há também uma pergunta incômoda: você trata bem as pessoas porque as ama ou porque elas podem lhe oferecer alguma coisa?
Quem só respeita os fortes ainda não aprendeu a lógica do Reino.
Cristo não nos ensinou a beijar os pés dos poderosos, mas a lavar os pés uns dos outros. A verdadeira grandeza não está em ser servido, mas em servir; não em humilhar, mas em se humilhar diante de Deus.
“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.”
— Filipenses 2:3
No fim, o orgulho sempre tenta construir um trono para o homem. A graça, porém, coloca o homem de joelhos — não diante dos poderosos, mas diante de Deus.
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