Um dos segredos da vida é encontrar-se com a leveza dos dias e dos encaminhamentos. Enquanto muitos buscam somente o material, vejo um significativo movimento formado por pessoas, de diferentes idades, que desejam viver com menos, para provar a simplicidade dos dias. Porém, na maioria dos dias, a vida nos obriga a sermos fortes. São tantas situações, numa sequência de fatos, que a única saída é tentar ficar de pé, apesar de tudo. Me considero uma pessoa forte até mesmo pela formação recebida e pelo cultivo diário da espiritualidade. Mas nem todos investem em si mesmos. São as convicções somadas à fé que se transformam em fortalezas interiores. A fragilidade, no entanto, nos acompanha. Em alguns momentos desabamos, mas em seguida temos que nos recompor. Sempre parto da premissa de que todos são visitados pelos problemas e, também, pelo sofrimento. Ser forte não é endurecer. É permitir que a vida atravesse, que a emoção encontre lugar, que o corpo tenha tempo de respirar. Força não está no acúmulo de batalhas vencidas, mas na capacidade de perceber quando é preciso pausar antes que a alma se quebre. Parar não significa desistir; significa honrar o próprio ritmo quando tudo à volta exige pressa. Calar não é fraqueza; é sabedoria de quem escolhe não desperdiçar energia com o que não edifica. Descansar não é luxo; é condição para continuar de pé. Chorar não diminui ninguém; alivia, limpa, reorganiza. É no pranto que o coração entende o que a mente ainda não consegue explicar. Pedir ajuda é ato de coragem, pois exige confiança e humildade. Há momentos em que a lucidez do outro é o que nos devolve o chão. Permitir-se frágil é talvez a expressão mais profunda da força verdadeira, pois revela autenticidade. Quem admite fragilidade acolhe a própria humanidade e, por isso mesmo, encontra caminhos mais verdadeiros para continuar. A vida se transforma quando deixamos de lutar contra aquilo que sentimos e passamos a abraçar o que somos. A vulnerabilidade bem acolhida se converte em fôlego novo. Há beleza em perceber que não precisamos ser inabaláveis para sermos inteiros. A força que não admite falha aprisiona; a força que acolhe a fragilidade liberta. E, com essa liberdade, seguimos mais leves, mais conscientes e mais humanos.
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