A convivência humano é um verdadeiro desafio. Com a multiplicação dos meios, todos dizem tudo, sem pensar nas consequências e na fidelidade à verdade. Além disso, os elogios são resumidos e as críticas são multiplicadas. Acontece que nem toda crítica nasce de maturidade, assim como nem toda opinião carrega verdade. Muitas palavras são projeções, reflexos de inseguranças alheias, tentativas de aliviar frustrações próprias. Quando damos peso excessivo a esse tipo de julgamento, permitimos que vozes desalinhadas conduzam sentimentos que deveriam ser nossos. A vida se torna mais leve quando aprendemos a filtrar. Escutar tudo não é sinal de sabedoria, é ausência de discernimento. Há pessoas cuja escuta vale ouro porque nasce da experiência, do cuidado e da intenção sincera de ajudar. Outras apenas falam para preencher vazios, para afirmar superioridade ou para descarregar o que não conseguem resolver dentro de si. Levar a sério quem não caminha conosco, quem não conhece nossas dores, quem não respeita nossa história, é uma forma sutil de desvalorizar o próprio percurso. A maturidade emocional ensina a distinguir entre orientação e ruído. A crítica construtiva, ainda que desconfortável, vem acompanhada de respeito. Já a crítica vazia costuma ferir sem oferecer direção. Quando aprendemos a reconhecer essa diferença, o coração se protege sem endurecer. Não se trata de ignorar tudo, mas de escolher o que merece atenção. A paz interior cresce quando deixamos de tentar agradar vozes que nunca se comprometeram com nossa verdade. Há um tempo em que buscamos aprovação; há outro em que compreendemos que viver em coerência é mais importante do que ser compreendido por todos. Quem sabe quem é não se abala com facilidade, porque conhece o próprio valor. Opiniões externas perdem força quando não encontram espaço interno. E isso não nasce da arrogância, mas da clareza. Cuidar da própria escuta é um ato de amor próprio. O silêncio seletivo preserva energia, fortalece identidade e mantém o coração alinhado com o que realmente importa. Quando escolhemos ouvir apenas quem tem lugar legítimo na nossa caminhada, a vida segue mais serena. O resto se dissolve como ruído distante, incapaz de interferir em quem decidiu viver com verdade.
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