Nosso ano chega ao seu final. Um novo ano se apresenta. Existe um universo de pensamentos e de sentimentos numa passagem de ano. Até pode ser simples trocar um numeral, mas o simbólico encanta faz ecoar muitos sinais. Não tenho dúvidas de que fomos realmente fortes durante os dias deste ano que finda. Porém, nem sempre a força teve aparência de vitória. Muitas vezes ela se manifestou em forma de resistência, de permanência, de simples continuar quando tudo pedia pausa. Houve dias em que a coragem foi levantar, outros em que foi aceitar limites, outros ainda em que foi chorar e seguir mesmo assim. A força verdadeira não grita, não se exibe, não se anuncia. Ela se revela na constância silenciosa de quem não desistiu de si, mesmo cansado. Atravessar um ano não é apenas somar dias, é suportar emoções, lidar com perdas, adaptar sonhos, rever expectativas, sustentar esperanças frágeis. Houve decisões difíceis, silêncios necessários, desapegos doloridos. Houve momentos em que a fé foi a única âncora e outros em que a própria respiração foi o único recurso. E ainda assim, o caminho seguiu. A coragem também esteve presente quando foi preciso dizer não, quando foi necessário mudar de rota, quando o coração precisou se proteger para não se perder. Nem tudo foi resolvido, nem tudo foi compreendido, mas muito foi sustentado. E isso tem valor. Reconhecer a própria força não é vaidade, é justiça interior. É olhar para trás com honestidade e perceber que, apesar das falhas e fragilidades, houve entrega. Houve esforço. Houve fidelidade à própria história. A vida não mede coragem apenas pelos resultados, mas pela disposição de permanecer inteiro no processo. Atravessar o ano foi um ato de bravura cotidiana. Pequena, discreta, mas real. Honrar essa coragem é permitir que o novo ciclo comece sem desprezar o que foi vivido. É seguir adiante com mais compaixão por si, mais respeito pelos próprios limites e mais gratidão pela força que sustentou cada passo. Porque chegar até aqui já é prova suficiente de que algo forte, resiliente e verdadeiro habita dentro. Abraçar o novo ano é um privilégio que a vida nos oferta. Feliz Ano Novo.
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