Não sei por que ainda insisto nas palavras, como se elas fossem capazes de exprimir com exatidão tudo o que sinto e penso. As letras são frias. Carregam, inevitavelmente, a ambiguidade dos sentidos. Aquilo que é escrito com lágrimas pode ser lido como ironia, ou até como sarcasmo.
Talvez por isso Jesus não tenha se preocupado em deixar nada por escrito. O único lugar onde registrou suas palavras foi o chão, e a erosão se encarregou de apagar, letra por letra, qualquer vestígio.
Entre o que escrevo e o que se lê de mim pode haver um abismo intransponível. Neste exato momento, enquanto alguém percorre estas linhas, juízos estão sendo formulados, ideias estão sendo construídas, algumas justas, outras nem tanto. E o que posso fazer, senão aceitar essa limitação?
Minha alma anseia por comunicação. Contento-me em saber que apenas aqueles em sintonia de espírito conseguirão me compreender, alegrando-se com minhas alegrias e chorando minhas dores, frustrações e silêncios.
Obrigado por me ler. Obrigado, ao menos, por tentar compreender o que escrevo. Que o amor desfaça todo mal-entendido e torne possível a comunicação plena entre almas e corações.
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