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sábado, 27 de dezembro de 2025

VIDA

 Deve ser triste a vida de quem aguardar por retornos. Eu prefiro viver meus dias entregando o melhor de mim para os outros. Tenho consciência de que o amor simplesmente ama e não espera nada em troca. O amor nos torna gratuitos e livres. Esperar retornos pode ser uma fonte de decepções. Afinal, a vida não funciona como troca justa nem como balança precisa. Nem sempre o cuidado oferecido retorna em cuidado, nem sempre a dedicação encontra reconhecimento, nem sempre o amor é devolvido na mesma medida. Isso frustra, cansa e, por vezes, machuca. Mas existe um ponto mais profundo que sustenta a caminhada quando a expectativa se desfaz. Aquilo que oferecemos ao mundo nasce da nossa essência, e é essa essência que nos define. Dar não é garantia de retorno, é expressão de identidade. Quando oferecemos paciência, é porque ela habita em nós. Quando estendemos a mão, é porque a solidariedade já encontrou morada no coração. O gesto pode não ser acolhido, mas a verdade que o originou permanece. E isso tem um valor imenso. A maturidade emocional cresce quando compreendemos que não controlamos a resposta do outro, apenas a integridade do que oferecemos. Esperar retorno como condição para continuar sendo quem somos nos aprisiona. Libertar-se dessa expectativa é um gesto de sabedoria. A vida se torna mais leve quando damos por convicção e não por barganha silenciosa. Há encontros que não conseguem receber o que entregamos, não por maldade, mas por limite. Cada pessoa dá e recebe a partir do que consegue ser naquele momento. Quando entendemos isso, o coração se protege sem endurecer. Continuamos oferecendo o melhor de nós, não porque o mundo retribui, mas porque isso nos mantém alinhados com a própria verdade. O que damos molda o nosso interior. O gesto sincero nos transforma antes mesmo de tocar o outro. Por isso, nada se perde. Mesmo quando o retorno não vem, a alma se fortalece, o caráter se aprofunda, a consciência se expande. Dar o que somos é uma forma de permanecer fiel à própria essência. E essa fidelidade gera paz. No fim, não somos medidos pelo que recebemos, mas pela qualidade do que oferecemos. É isso que atravessa o tempo, que constrói sentido e que permanece quando tudo o mais se dissolve. O segredo está no amor. 

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