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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

CANCELADO

 Se entendessem a mensagem subversiva do Natal, já o teriam cancelado.


O Natal jamais foi um evento ingênuo, romântico ou neutro. Ele é, desde a origem, profundamente subversivo. Um Deus que nasce fora dos palácios, longe dos centros de poder, anunciado não a reis, mas a pastores, gente invisível, socialmente irrelevante. Se essa mensagem fosse realmente compreendida, dificilmente teria sobrevivido sem censura. Teria sido “cancelada” por ameaçar privilégios, desestabilizar hierarquias e confrontar narrativas convenientes.


Nenhuma figura foi tão controversa quanto Jesus. Simeão profetizou que aquele menino seria sinal de contradição, para que os pensamentos de muitos corações fossem revelados (Lc 2.34–35). Diante d’Ele, ninguém permanece neutro. Jesus não veio para confirmar zonas de conforto, mas para desmascarar intenções, expor motivações e revelar o que de fato governa o coração humano.


O mesmo Cristo que, para alguns, se torna pedra angular, fundamento seguro sobre o qual se edifica a vida (Sl 118.22; Ef 2.20), para outros é pedra de tropeço, obstáculo incômodo que precisa ser removido, domesticado ou reinterpretado (Is 8.14; Rm 9.32–33; 1Pe 2.7–8). Não porque Ele mude, mas porque muda o lugar onde cada um escolhe se colocar diante d’Ele.


Há os que morrem por Jesus e, tragicamente, há os que matam em Seu nome. Há os que aprendem com Ele a amar, a servir, a perder para ganhar, a negar o próprio ego (Jo 13.34–35). E há os que pinçam Suas palavras, fora de contexto, para legitimar ganância, exclusões e preconceitos antigos disfarçados 

de fé (Mt 15.7–9). O Cristo que liberta é o mesmo que incomoda. O que salva é também o que desinstala.


O que não existe é indiferença verdadeira. Jesus não permite o conforto da neutralidade: “Quem não é por mim é contra mim” (Mt 12.30). Sua presença exige posicionamento, Sua vida provoca crise, Sua mensagem confronta estruturas religiosas, políticas, econômicas e simbólicas. Onde Ele passa, algo precisa ceder.


O fato incontornável é este: Jesus nasceu. E, desde então, a história deixou de ser apenas uma sucessão de acontecimentos para se tornar um campo permanente de decisões. O mundo jamais foi o mesmo. E nenhum coração que O leva a sério permanece intacto, ileso ou confortável. O Natal não é um enfeite. É um confronto.

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