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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

REINO


“Reina o Senhor; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra” (Sl 99.1).

Quanto mais o tempo passa, mais somos surpreendidos com o avanço da impiedade. Há uma descaracterização proposital de tudo o que se chamava virtude. Basicamente, em nossos dias, o “vício” se tornou a única “virtude”. Entendamos a palavra em seu sentido filosófico. “Vícios” não diziam respeito à utilização de alguma substância escravizante simplesmente, mas a todo cativeiro da alma. Indicavam as vis paixões que enfeitiçam e aprisionam o coração dos homens. É curioso que tal noção tem ressurgido modernamente vista, por exemplo, em clínicas para tratar de viciados em sexo e em pornografia. Há um movimento pensado, deliberado, para transtornar todos os valores, ideologias abraçadas pela mídia de forma geral, tornadas também plano de governo de partidos especialmente de esquerda. Pretende-se não apenas questionar, mas abolir todo padrão de ética e moral. Mesmo que ainda não tenham alcançado isso totalmente, a confusão já é uma vitória, pois retira do indivíduo a segurança do acerto.

Uma das maiores bênçãos que temos como cristãos é a segurança de poder tomar decisões corretas. Temos a Palavra de Deus para nos iluminar os pés em todo caminho. Temo-la como inerrante e infalível, verdade absoluta. Todos os temas relativos à vida humana são ali encontrados ou podem ser inferidos, concedendo-nos uma base sólida para a existência. Não olhamos para os resultados, mas principalmente para o que é certo a se fazer. Foi Maquiavel que estabeleceu como ética o princípio central: “os fins justificam os meios”. De certa forma, tal comportamento foi atribuído ao Senhor pela sabedoria popular, quando afirma que “Deus escreve certo, por linhas tortas”. Jamais! Deus escreve certo por linhas certas! O método de Deus sempre será aprovado, seus atos, estritamente de justiça. É exatamente esse o ponto fulcral do salmo que tem seu verso inaugural aqui em epígrafe.

Para o ser humano não-convertido que preserva em sua cosmovisão a ideia de Deus, há a crença que mesmo através de coisas ruins o Senhor faz o bem. É curioso que naturalmente o homem reconheça o mal em acontecimentos que o ferem de alguma forma, mesmo que seja apenas a contrariedade à sua vontade. Dessa maneira, é levado a chamar de mal a doença, o acidente, o malogro, o malfadado. Toma-se a súplica da Oração do Senhor: “livra-nos do mal” e a transforma em adesivo para colocar na traseira dos veículos, uma espécie de superstição para livrar de acidentes de trânsito. No entanto, a petição pede para que sejamos livrados das obras do mal, do diabo, do maligno, não de alguma ocorrência contrária que afete a vida. A dissimulação faz parte do pecado e do pecador desde o início, como fez Adão ao acusar Eva e ao próprio Criador como culpados pela tragédia humana: “a mulher que tu me deste” (Gn 3.12). Colocando-se na condição de vítima de suas próprias atitudes malignas, o pecador é capaz de desviar de si a culpa e atribuí-la a algum ditame sádico de Deus. Toda dor e sofrimento são relativos aos pecadores, não importa a idade deles.

As obras de Deus são sempre completa, total, essencial e integralmente justas, mesmo quando permite o exercício do mal que se tornou natural a um mundo caído. Tudo está em suas soberanas mãos! O avanço do mal, da impiedade, das perversões patrocinadas e legitimadas por iníquos, muitas vezes pode trazer ao coração do crente certa insegurança, a vertigem consequente de incertezas, a sensação de que a existência está fora de controle. Tenhamos sempre solidamente em nosso coração esta verdade: “o Senhor reina!” Não se trata de um título honorífico, nem mesmo de uma monarquia parlamentarista como se percebe hoje em alguns países europeus, onde os reis têm quase nenhum poder ou autoridade, ícones culturais desgastados. A afirmação bíblica faz menção ao governo absoluto do Senhor sobre tudo e todos. Assim como: “Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e o seu Ungido” (At 4.26), texto aplicado por Pedro à morte de Cristo, novamente o fazem para tentar extinguir a memória e o testemunho do Salvador.

Porém, o Senhor está entronizado acima dos querubins. Não há alguém mais poderoso e exaltado do que ele. A impiedade do homem faz repetir Babel, o autoconvencimento de que é possível enfrentar e vencer o Criador. Na verdade, a vitória já é nossa, reconhecida pelo próprio diabo. A legião que povoava o endemoninhado gadareno perguntou a Jesus: “E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” (Mt 8.29). Sabem que aquilo que os espera é perdição eterna. Anteciparam figuradamente isso na cena do total desespero, precipitando-se com os porcos do penhasco no mar. A consciência do governo absoluto do Senhor traz à humanidade o temor de sua justiça, motivo por que tentam desesperadamente negá-la. Viva a confiança e a certeza do reinado de Deus e de seu Cristo, aquele que já recebeu toda autoridade nos céus e na terra (Mt 28.18). Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 





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