Existem várias razões por trás da dispersão de um rebanho. Uma delas é apontada pelo próprio Jesus: "Ainda esta noite todos vocês me abandonarão. Pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas” (Mateus 26:31). Obviamente, Ele falava acerca de Si mesmo e de Sua morte na cruz. Entretanto, o princípio aqui esboçado segue inalterado. Quando um pastor é ferido, as ovelhas se dispersam. Talvez, por isso, líderes sejam tão alvejados. O objetivo por trás disso não é outro que não seja dispersar o rebanho. Descredibilizando o mensageiro, descredibiliza-se a mensagem, e assim, para não morrer de inanição, a ovelha deixa o redil em busca de novos pastos.
Todavia, esta não é a única razão por trás da dispersão das ovelhas. Há algumas outras que quero elencar aqui, a começar pela encontrada na advertência de Deus dirigida aos pastores:
“Assim diz o Soberano Senhor: Ai dos pastores de Israel que só cuidam de si mesmos! Acaso os pastores não deveriam cuidar do rebanho? Vocês comem a coalhada, vestem-se de lã e abatem os melhores animais, mas não tomam conta do rebanho. Vocês não fortaleceram a fraca nem curaram a doente nem enfaixaram a ferida. Vocês não trouxeram de volta as desviadas nem procuraram as perdidas. Vocês têm dominado sobre elas com dureza e brutalidade. Por isso elas estão dispersas, porque não há pastor algum, e, quando foram dispersas, elas se tornaram comida de todos os animais selvagens.” Ezequiel 34:2-5
Pastorear é muito mais que entreter uma plateia ou saciar a curiosidade dos que querem obter informações bíblicas. Pastorear é sinônimo de cuidar. Não é dominar, nem pensar pelas ovelhas, mas oferecer acompanhamento e cuidados.
Há muitas ovelhas feridas que não suportam mais a ideia de pertencer a um redil. Preferem seguir isoladas, e isso as torna presas fáceis nas garras de lobos vorazes. Mas o que fazer quando o próprio pastor se revela um lobo? Ele terá que prestar contas a Deus.
“Assim diz o Soberano Senhor: Estou contra os pastores e os considerarei responsáveis pelo meu rebanho. Eu lhes tirarei a função de apascentar o rebanho para que os pastores não mais se alimentem a si mesmos. Livrarei o meu rebanho da boca deles, e ele não lhes servirá mais de comida.” Ezequiel 34:10
Ovelhas são muito mais do que prontuários em arquivos eclesiásticos ou eleitores cujos votos são negociados à surdina por pastores gananciosos. Cada pastor deve apascentar a igreja de Deus sabendo que Ele a resgatou com o seu próprio sangue (Atos 20:28).
Apascentar nada mais é do que uma declaração de amor que se faz ao Supremo Pastor. “Tu me amas?”, perguntou Jesus a Pedro, “então apascenta as minhas ovelhas” (João 21:16).
Além do pastor ferido e do pastor negligente, a terceira razão que leva as ovelhas à dispersão é a ingratidão das ovelhas. Confira a advertência feita por Deus:
“Quanto a você, meu rebanho, assim diz o Soberano Senhor: Julgarei entre uma ovelha e outra, e entre carneiros e bodes. Não lhes basta comerem em boa pastagem? Deverão também pisotear o restante da pastagem? Não lhes basta beberem água límpida? Deverão também enlamear o restante com os pés? Deverá o meu rebanho alimentar-se daquilo que vocês pisotearam e beber daquilo que vocês enlamearam com os pés? Por isso assim diz o Soberano Senhor a eles: Vejam, eu mesmo julgarei entre a ovelha gorda e a magra. Pois vocês forçaram passagem com o corpo e com o ombro, empurrando todas as ovelhas fracas com os chifres até expulsá-las, eu salvarei o meu rebanho, e elas não serão mais saqueadas. Julgarei entre uma ovelha e outra.” Ezequiel 34:17-22
Nem toda a responsabilidade deve recair sobre os ombros do pastor. Cada ovelha deve compreender seu papel na manutenção do rebanho.
Lemos em Zacarias 11:7 que Deus apascenta suas ovelhas com duas varas: graça e união. Um rebanho unido torna-se indestrutível e indispersável. Com a vara da graça, o bom pastor nos congrega, nos reúne em Seu redil. Com a vara da união Ele nos guia às águas tranquilas e aos apetitosos pastos verdejantes.
Por isso, os inimigos do rebanho fazem das tripas coração para promover divisão, lançando ovelhas contra ovelhas. A “ovelha magra” é a mais fraca, vulnerável, que carece de cuidados diferenciados, e por vezes, necessita de ser carregada nos ombros. A “ovelha gorda” é a que se vale de sua força, de sua influência, de seus anos de casa para impor sua vontade sobre as demais e garantir seu espaço. Estas nunca estão satisfeitas. Não se contentam com uma boa pastagem. Fazem questão de pisotear o pasto que as alimentou, prejudicando assim às que vêm depois. Tão logo se deem por saciadas, enlameiam as fontes e os canais, pisando-os sem qualquer cerimônia. Em outras palavras, cospem no prato que comeram. Esquecem-se de todo bem que obtiveram ali e não percebem que assim, só fazem afastar os mais fracos, dando-lhes o mesmo destino de suas próprias almas. Usam “seus chifres”, seu poder de influência, para empurrar para fora do redil os indecisos. E o pior, ainda são capazes de colocar tudo na conta do pastor, o mesmo que antes as conduziu às fontes e aos pastos verdejantes.
Se seu pastor revelou-se um lobo, caia fora. Este redil não passa de uma armadilha, um covil de lobos vorazes. Mas se o seu pastor revelou-se humano, e ainda assim, carecendo de cuidados, não sonegou cuidados aos que lhe foram confiados, honre-o. Você pode até não compartilhar de todas as suas opiniões ditas em púlpito ou em redes sociais, mas certamente compartilhará do mesmo sentimento: o amor por aqueles que compõem o rebanho e por aqueles que pertençam a outros redis.
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