Para que se preocupar com o meio-ambiente se o mundo vai mesmo acabar? Se tudo vai acabar queimado, não custa nada dar uma forcinha para acelerar o processo, não é verdade? Então, devastemos as matas e poluamos o ar, os oceanos e rios.
Por que pensar em deixar um mundo mais justo para os nossos filhos se somos a última geração, a geração do arrebatamento? Cá entre nós: não é melhor que o mundo acabe logo antes que morramos ou que nos tornemos avós?
Qual o sentido de nos preocupar com questões como justiça social, direitos iguais para todos, tolerância com os diferentes, se o que temos aprendido na Escola Bíblica Dominical é que quanto pior estiver o mundo, mais rápido Jesus deve voltar?
Percebe como uma escatologia pessimista que defende que o mundo está caminhando para um fim catastrófico nos torna uma igreja apática e ineficiente?
Agora, me responda com sinceridade: por que razão os pastores que defendem esta escatologia escapista seguem investindo milhões na construção de templos faraônicos enquanto milhões em seu entorno passam fome e não têm onde dormir? Se não vai ficar pedra sobre pedra, não faz sentido investir tanto dinheiro no que está prestes a acabar!
Espero que todos tenham percebido o tom irônico deste texto. Minha intenção é demonstrar o quanto precisamos de uma escatologia otimista que nos faça arregaçar as mangas e trabalhar pelo futuro da humanidade. Daí a necessitade de revisitarmos o livro de Apocalipse e nos aprofundarmos em suas profecias sem nos render ao fundamentalismo e ao fatalismo. Percebem o quanto uma interpretação equivocada nos leva à letargia?
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