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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

CALAR

 


Lemos na Palavra que “Assim como o ferro afia o ferro, o homem, ao seu amigo.” (Pv 27:17). Esse provérbio nos apresenta uma imagem simples e profunda. O ferro se torna mais útil quando é afiado por outro ferro. O processo envolve contato, atrito e, muitas vezes, faíscas. Não há processo sem confronto. Da mesma forma, os relacionamentos verdadeiros não são marcados pelo silêncio cúmplice, mas por um amor que se dispõe a tratar, corrigir e conduzir ao caminho certo. Amar não é calar.


Vivemos dias em que, equivocadamente, se associa amor e maturidade cristã à omissão diante do erro. Confunde-se mansidão com passividade e graça com indiferença moral. Contudo, a Palavra não nos ensina a nos silenciarmos perante o pecado. O amor bíblico não fecha os olhos, mas abre a boca no tempo certo e com o coração certo. O silêncio diante do pecado não preserva relacionamentos; antes, os corrói lentamente.


Quando um irmão ou irmã caminha por veredas erradas, o amor cristão não se expressa em comentários velados, críticas públicas ou afastamento frio. O amor se aproxima, chama para perto e fala. Fala no privado, com temor, humildade e verdade, como nos ensina o Senhor Jesus: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só” (Mt 18:15). O objetivo não é expor, mas edificar; não é ferir, mas restaurar.


Pv 27:17 nos ensina que Deus usa relacionamentos piedosos como instrumentos de santificação. O amigo fiel é aquele que, por amor, se dispõe a confrontar. O ferro que afia não destrói o outro ferro; ao contrário, o torna mais eficaz. Assim também, a exortação feita em amor não diminui o irmão, mas o ajuda a retomar o caminho da vida. Por isso, a Escritura também afirma: “Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto” (Pv 27:5) e ainda: “Leais são as feridas feitas pelo amigo” (Pv 27:6).


É certo que nem sempre temos a oportunidade ou a liberdade de abordar aquele que caminha por um caminho perigoso. Podemos, entretanto, orar por sua vida e rogar ao Senhor por uma porta aberta. É importante que a abordagem se dê em oração e com sabedoria. O intuito não é humilhar ou ferir, mas alertar e corrigir para que haja quebrantamento e transformação.


Mas lembre-se: devemos igualmente reagir biblicamente se estivermos do outro lado, sendo alertados ou corrigidos por alguém. Neste momento, devemos receber com corações abertos e mentes desarmadas as palavras que nos são dirigidas, para discernirmos perante o Senhor o que nos falta. Em ambos os cenários, amar não é calar. 



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