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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

HAJA

 A força do texto não está no que foi criado, mas no modo como foi criado.

Antes da luz, antes da forma, antes da vida, há um verbo no imperativo divino.
“Haja” não é poesia; é ato soberano. Não descreve desejo, descreve execução.
Aqui não há negociação com o caos, nem adaptação à matéria: há Palavra que impõe realidade.
“Disse Deus: Haja” não inaugura apenas a criação; inaugura o modo como Deus se relaciona com tudo o que existe.
O “Haja” é ação verbal absoluta
O cristianismo não nasce de sentimentos despertados, mas de uma Palavra pronunciada.
A fé bíblica não é reação ao caos; é submissão ao decreto.
Onde a Igreja moderna tropeça não é na falta de dons, mas na perda do peso do “Haja” da Palavra que define, limita, ordena e governa.
Karl Barth estava certo ao afirmar que Deus não é conhecido por introspecção, mas por revelação soberana.
E essa revelação não vem como conselho, vem como comando que cria realidade.
“Haja” revela soberania sem mediação
Deus não usa ferramentas, não recorre a processos, não divide autoridade.
A Palavra é suficiente.
O “Haja” elimina qualquer ideia de cooperação criacional. A criação não ajuda Deus a existir.
Uma fé madura começa quando o crente para de pedir sinais e aprende a viver debaixo do que Deus já disse.
“Haja” não é passado distante.
É o fundamento presente de tudo o que continua existindo — inclusive você.
Quando Deus diz “Haja”, a realidade nasce.
Quando o homem tenta dizer “Haja”, nasce o caos.
Tomás de Aquino afirma com precisão metafísica:
“Criar é dar o ser às coisas.” (Suma Teológica, I, q.45)
Logo, quando Deus diz “Haja”, Ele não reorganiza algo pré-existente. Ele concede existência. O verbo não atua sobre matéria; atua sobre o nada.
João Calvino observa:
“Pela Palavra, o mundo foi feito, para que saibamos que tudo depende unicamente da vontade de Deus.” (Institutas, I.14)
Agostinho, refletindo sobre Gênesis, afirmou:
“Deus criou todas as coisas não no tempo, mas com o tempo.” (Confissões, XI)
Isso significa que o “Haja” não ocorre dentro do tempo; ele inaugura o tempo. Não há antes, não há depois há submissão da realidade ao Verbo.

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