Num tempo onde tudo pode, falar de limites não parece ser muito simpático. Porém, é necessário tratar com carinho este assunto. Sim, limites verdadeiros não nascem da raiva nem da necessidade de se defender o tempo todo. Eles surgem quando o coração reconhece o próprio valor e entende até onde pode ir sem se perder. Antes de serem ditos, os limites são sentidos. São fruto de um processo interno de autoconhecimento, de escuta dos próprios sinais, de respeito ao que dói, cansa ou ultrapassa. Quando ainda não há clareza interior, os limites soam como imposição, rigidez ou culpa. Mas quando são conquistados por dentro, passam a ser comunicados com serenidade. Não carregam agressividade, carregam firmeza. Comunicar limites não é afastar pessoas, é organizar relações. É dizer onde termina o espaço do outro e começa o cuidado consigo. Muitas vezes, o medo de desagradar faz com que os limites sejam adiados. Esse adiamento cobra um preço alto: desgaste emocional, ressentimento silencioso, perda de identidade. A conquista interna acontece quando se entende que dizer não também é um ato de amor. Amor próprio e amor relacional, porque evita expectativas confusas e convivências adoecidas. Limites claros preservam vínculos saudáveis e revelam quais relações são capazes de respeitar quem somos de verdade. Quem se incomoda com limites costuma se beneficiar da ausência deles. Por isso, comunicar limites pode causar estranhamento, mas não culpa. A maturidade emocional sustenta essa comunicação sem necessidade de justificativas excessivas. O limite bem colocado não humilha, não acusa, não se impõe. Ele se apresenta com tranquilidade, porque nasce da coerência interna. Quando o coração está alinhado, a palavra encontra tom. Limites também mudam ao longo da vida. O que antes era tolerável pode deixar de ser. E isso não é incoerência, é crescimento. Reconhecer novas necessidades é sinal de evolução. A vida se torna mais leve quando os limites deixam de ser defesa e passam a ser expressão de autocuidado. Eles não erguem muros, constroem fronteiras saudáveis. E essas fronteiras permitem relações mais honestas, escolhas mais conscientes e uma caminhada mais fiel a quem se é. Limites comunicados com clareza são conquistas que libertam, porque preservam o essencial: a própria integridade.
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