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sábado, 31 de janeiro de 2026

PENSAR

  O ser humano é chamado à liberdade. Mas quem mais suspira por liberdade é o coração. Não aceita controle, nem excesso de racionalidade. O que move o coração é o amor e quem ama deseja profundamente ser livre. Afinal, o coração não foi feito para calcular, medir ou prever. Ele foi feito para sentir, para pulsar no mistério da vida, para seguir mesmo quando a razão ainda não alcançou. Pensar é tarefa da mente; viver é movimento do coração. Quando tentamos submeter o sentir a análises excessivas, a vida perde fluidez. O coração não suporta o peso do controle absoluto. Ele precisa de espaço para errar, para desejar, para se entregar ao que não cabe em explicações. Muitas angústias nascem quando exigimos coerência perfeita de tudo o que sentimos. O amor, a saudade, a fé, a esperança não obedecem a esquemas racionais. Eles seguem caminhos próprios, às vezes ilógicos, mas profundamente humanos. Se o coração parasse para pensar demais, deixaria de bater no ritmo da vida. Ele não foi criado para garantir segurança total, mas para sustentar a experiência de existir. Há momentos em que sentir precede compreender. Só depois a mente alcança, se alcançar. A sabedoria está em permitir que o coração siga pulsando sem precisar justificar cada emoção. Quando confiamos nesse movimento, a vida ganha leveza. Não se trata de desprezar a razão, mas de reconhecer que ela não governa tudo. Há decisões que precisam passar pelo sentir antes de se tornarem claras. O coração aponta direções que a mente ainda teme. Ele percebe verdades sutis, intuições delicadas, chamados silenciosos. Quando respeitamos esse ritmo interno, a vida flui com mais autenticidade. Paralisar o coração com excesso de pensamento gera medo, bloqueio, rigidez. Permitir que ele pulse é aceitar a imperfeição do caminho e a beleza do processo. O coração que sente continua, mesmo ferido. Ele aprende, se refaz, se adapta. Não pensa para parar, sente para seguir. E é nesse movimento contínuo que a vida acontece de verdade. Quando damos espaço ao coração, ele nos conduz por caminhos que a razão sozinha jamais ousaria percorrer. 

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