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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

SABEDORIA

 “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço” (Pv 8.13).

Nos magistrais capítulos oito e nove de provérbios, a sabedoria é exaltada. Na verdade, ela é tão enlevada que é, até mesmo, comparada a Deus. O sábio Salomão a personifica em Deus como a virtude fundamental. Ter Deus é ter sabedoria, e vice-versa. No versículo epigrafado o sábio a descreve pela negativa, mostrando basicamente onde ela não está. A expressão “temor do Senhor” é a definição de sabedoria no Antigo Testamento. Trata-se do conhecimento profundo de Deus, não apenas saber da existência divina ou se apegar supersticiosamente a algum extrato das Escrituras.
A conversão é novo nascimento, a descoberta da verdadeira vida. É como se tirassem uma venda de nossos olhos e imediatamente passássemos a comtemplar a beleza do universo. O homem sem Cristo, por sua vez, está cego por sua própria limitação. Ele é o seu próprio deus e os limites de sua visão e compreensão. Nada enxerga, nada entende além de si mesmo. Tudo é vivido dentro das fronteiras de seu ser, aprisionado pelo seu ego, por suas vontades e julgamentos. Na escuridão de sua solidão existencial o homem repentinamente vê um facho de luz, o Espírito Santo de Deus rompendo a redoma de trevas que reveste o pecador. A intensidade da luz divina o cega diferentemente.
Ah, como é maravilhosa a cegueira causada pela primeira visão cristalina luz de Cristo. É estonteante, confrontadora, aterrorizante... Um misto de sentimentos traspassa nosso coração. Temos uma clara visão do inferno para, logo depois, contemplar a glória eterna celestial. O dia de Cristo finalmente raiou na vida do eleito; seu sol se levantou, dia que jamais verá a aurora. A pura luz de Deus ilumina todo o ser. Não há partícula que não seja posta a vista, revelando tudo o que somos. Percebemos que o ser-humano é constituído do próprio mal. É afastamento do verdadeiro Deus! É afirmação de si mesmo como centro de tudo! É viver para servir e adorar a si mesmo.
O homem é o próprio pecado, como sua fonte e proliferação. Compreendemos que se não houvesse homem na face da terra, o pecado não existiria. Iluminados pelo Sol da justiça, olhamos para o mal e o aborrecemos. Rompemos com o passado de pecado, de vida apenas para a matéria, a busca de benefícios na efemeridade material. Toda a soberba e arrogância que se entranhavam em nós são como que desarraigadas pela graça do Santo Espírito. Não nos vemos mais como superiores. Do trono de nosso coração somos atirados aos pés daquele de quem nos tornamos alegremente servos.
Notamos que a verdadeira virtude está na negação e não na afirmação e exaltação de si mesmo. Alegramo-nos ao ver o bem realizado na vida de nosso próximo e irmão, mais do que a qualquer busca de satisfação pessoal. Percebemos que o Senhor, a quem prazerosamente passamos a servir, estabelece-se como o caminho seguro a ser percorrido. Obedecê-lo é a direção a seguir. Compreendemos que a obediência é, em si mesma, um caminho. Percebemos que tantas vezes ficamos paralisados em encruzilhadas da vida sem saber qual o caminho a tomar, esperando como que uma voz para nos orientar qual a vereda a seguir.
No entanto, em Cristo temos o caminho da obediência. Basta olhar para e Escritura e obedecer, tomar as decisões conforme aquilo que está inerrantemente escrito, não segundo os interesses humanos. Esse é o claro caminho a seguir. O mau caminho não é apenas aquele do pecado explícito, mas também o que resulta na mera satisfação pessoal, quando o homem está no centro e no objetivo da decisão, quando se busca a própria glória em Deus e não a glória de Deus. A cristalina luz de Cristo também expõe o que brota de nossos lábios. Certamente! A fala é a primeira instância da exteriorização do nosso homem interior – a boca fala do está cheio o coração. Se nosso coração foi iluminado por Cristo, nossa boca falará naturalmente do Salvador, um falar iluminado que lança luz nas trevas de existência daqueles que nos rodeiam.
O sol de Jesus não apenas espantou a interminável noite de nosso coração; também ilumina as trevas nas quais vivem os que estão perto de nós. Alguns, envergonhados pela exposição na luz, se voltarão contra nós, escondendo-se novamente na escuridão, encobrindo-se novamente no manto das trevas de sua morte espiritual. Porém outros, tocados pela vida que vem do Santo Espírito, perceberão a própria podridão espiritual, uma alma que está em decomposição desde que saiu da madre. Horrorizado pela visão de si mesmo, clamará por socorro. A luz que uma vez vimos inaugurará o eterno dia da salvação em sua vida. Passará a viver, estar sempre nela, a mesma vida verdadeira que uma vez nos alcançou.
Possuir a sabedoria verdadeira é ser vivo para Deus, é ter expandida a existência para fora de si, percebendo o mundo pelos olhos divinos, compreendendo que a vida autêntica é apenas a eterna, e já nos é garantida em Cristo. É ser feliz sempre, seguro e confiante. Se você se acha falto de sabedoria, busque ao Senhor que a dá liberalmente. Viva o esplendor da sabedoria. Tenha um excelente dia na presença de Jesus (Rev. Jair de Almeida Junior).

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