A forma como consideramos o outro reflete diretamente na saúde de nossos relacionamentos. Onde há comparação, disputa e autoafirmação, surgem tensões, afastamentos e feridas. Onde há humildade, florescem a unidade, a confiança e a colaboração sincera. A maneira como enxergamos o próximo revela muito sobre como compreendemos a nós mesmos diante de Deus.
Paulo nos ensina: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3). Com essas palavras, ele confronta um dos pecados mais sutis da vida cristã: o orgulho. O partidarismo nasce quando colocamos nossas preferências acima da comunhão com o irmão e a pureza perante Deus, enquanto a vanglória se manifesta quando fazemos até o que é correto com o desejo secreto de sermos vistos, reconhecidos ou aplaudidos. Vanglória é exaltar a si mesmo, e ela frequentemente se manifesta disfarçada de humildade.
A Palavra não propõe um simples ajuste de comportamento, mas uma completa transformação de perspectiva: “... mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo”. A humildade cristã não é a negação do valor pessoal, nem a anulação dos dons concedidos por Deus. Trata-se de uma postura voluntária do coração, que escolhe servir em vez de competir, ouvir em vez de impor, honrar em vez de se promover. Considerar o outro superior a si mesmo é recusar a lógica da comparação e abraçar o caminho da graça.
Esse ensino encontra seu fundamento em Cristo. Logo adiante, Paulo aponta para o exemplo supremo do Filho de Deus que, sendo Senhor, esvaziou-se, assumiu forma de servo e humilhou-se até a morte (Fp 2:5-8). A humildade cristã não nasce do esforço humano, mas da contemplação de Cristo. Quanto mais entendemos quem Ele é, e o que fez por nós, menos espaço há para a vanglória em nosso coração.
Em tempos marcados pela autopromoção, a Palavra nos chama a um caminho contracultural.
Relacionamentos são preservados, igrejas são fortalecidas e famílias são curadas quando o povo de Deus escolhe viver não para a própria exaltação, mas para a glória de Cristo. Portanto, abrace essa verdade! Diante de cada decisão, serviço ou palavra, pergunte-se se há partidarismo ou vanglória escondidos no seu coração. Peça ao Senhor um espírito humilde, capaz de servir com alegria, honrar o próximo com sinceridade e encontrar contentamento não em ser visto, mas em ver Cristo exaltado em tudo.
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